PIBIC: Grupo de docentes de humanas publica carta aberta sobre edital da PRPPI/Ifal
Documento analisa política de seleção de projetos de pesquisa e propõe mudanças

Um grupo de 19 docentes de filosofia e sociologia de diversos campi do Ifal publicaram nesta segunda-feira, dia 21 de agosto, uma carta aberta sobre o processo de seleção PIBIC/IFAL do Edital nº 16/2023 – PRPPI/Ifal.
O documento sinaliza falhas e propõe repensar a política de pesquisa no Ifal, garantindo condições de desenvolvimento dos projetos para além da bolsa estudantil, além de cobrar transparência, tornando acessível, por exemplo, o barema das avaliações.
Confira a carta aberta abaixo:
CARTA ABERTA À COMUNIDADE DO IFAL
Do processo de seleção PIBIC/IFAL, Edital nº 16 PRPPI/IFAL 2023
O Processo seletivo do Edital nº 16 PRPPI/IFAL, de 10 de maio de 2023 apresenta diversos problemas detectados por diferentes concorrentes e que, ainda que não intencionais, prejudicaram a classificação de pesquisadores/as qualificados para o trabalho de investigação científica nesta instituição.
Relacionamos abaixo alguns erros detectados:
• Reprovação de projetos por erro de cálculo nas notas
• Segunda avaliação arbitrária: realizada sem o pedido de recurso por parte do proponente
• Diminuição injustificada da pontuação do currículo lattes, desconsiderando o exposto no anexo 2 do Edital
• Desconsideração do pedido de recurso impetrado por proponente, impedindo revisão da nota
• Erros no sistema de submissão (já conhecido pela PRPI) que não importa corretamente o lattes e prejudicou diversos proponentes abaixando demasiadamente as notas desta etapa e desta forma, desconsiderando a vasta produção intelectual das servidoras/es.
• A avaliação contraria o Edital: Diferente do que preza o item 7.5 do Edital que diz que “o currículo da/o proponente terá caráter classificatório”, isso não é verdade, pois a nota do currículo entra no cálculo da pontuação final, de acordo com exposto no item 7.6 do Edital e funciona com caráter ELIMINATÓRIO pois pode abaixar a nota final. Sendo assim, alguém que tenha a nota 7,0 no projeto, pode ser reprovado, uma vez que o peso do projeto é 7 e o do currículo é 3 e ambos somados é dividido por 10. Isso contraria o exposto no item 7.4 do Edital que preza que a nota de corte para eliminação do projeto é 7,0.
Dito isto, vale a pena analisarmos um pouco mais a política de seleção de projetos de pesquisa desenvolvida no âmbito do IFAL.
Há uma demanda grande de pesquisadoras e pesquisadores que submetem seus projetos, mas que a instituição não consegue suficientemente contemplar os projetos aprovados com nem ao menos, uma bolsa de pesquisa para um estudante, quem dirá com taxa de bancada para o desenvolvimento da pesquisa. Neste Edital citado foram submetidos cerca de 220 projetos de pesquisa e apenas 125 terão o direito de contarem com um bolsista. Sendo assim, 95 projetos de pesquisa que não contarão nem ao menos com um bolsista. Perguntamo-nos: que condições o IFAL tem proporcionado aos seus servidores e servidoras para que desenvolvam pesquisa?
Mas, ao invés de fomentar a pesquisa, o IFAL desincentiva a prática de pesquisa quando é reprovado em um único Edital, 16 projetos desenvolvidos por pesquisadoras pesquisadores sérios, sem ao menos tornar acessível o barema das avaliações. Também não conseguimos saber se os pareceristas que avaliaram os projetos pertencem a mesma área do projeto proponente e se têm reais condições de avaliar o mérito científico dos mesmos. Perguntamo-nos: será que o problema está no fato dos servidores não saberem fazer um projeto de pesquisa ou esta grande reprovação ocorreu por conta dos tantos erros sérios elencados acima?
Toda a instituição de ensino que preze pela qualidade de ensino e da extensão tem uma séria política para o fortalecimento da pesquisa, pois o desenvolvimento das pesquisas tem como finalidade as resoluções de problemas diversos que atingem a nossa sociedade. Por isso é necessária uma séria política de fomento às atividades de pesquisas.
Mas o IFAL parece andar na contramão do progresso científico, uma vez que adota um sistema de avalição de projetos de pesquisa que não atende suficientemente a demanda institucional e ainda pune diversos proponentes dos projetos, bem como todo um conjunto de pessoas que seriam direta ou indiretamente beneficiados com a pesquisa, com pontuações injustas e até mesmo com a REPROVAÇÃO.
E neste âmbito das pesquisas reprovadas estão os projetos cuja problemática pertence as ciências humanas. Não pensamos se tratar de uma mera coincidência que 49% dos projetos reprovados estão dentro do espectro das ciências humanas. Deste percentual, a maioria dos projetos reprovados tem como problemas de pesquisa a questão de gênero e o estudo sobre as relações de trabalho.
Por meio destas razões externadas acima reivindicamos a correção dos erros apontados nesta carta aberta e solicitamos que estes erros sejam reconhecidos através da retificação do resultado final do processo de seleção PIBIC/IFAL, Edital nº 16 PRPPI/IFAL 2023 após avaliar justamente as reclamações da comunidade acadêmica.
Atenciosamente,
Ellen Maianne Santos Melo – Campus Arapiraca
José de Oliveira Junior – Campus Maceió
Leonardo Siqueira Antonio – Campus Santana do Ipanema
Adriano Valeriano da Silva – Campus Arapiraca
Géssika Cecília Carvalho da Silva – Campus Murici
José Lucas Omena – Campus São Miguel
Sante Braga Dias Scaldaferri – Campus Arapiraca
Solange Enoi Melo de Resende – Campus Maceió
Andrea Carla Jacinto dos Santos – Campus Arapiraca
Lais Gois de Araújo – Campus Coruripe
Otávio Monteiro Pereira – Campus Maceió
Fernando Antônio Guimaraes Tenório – Campus Arapiraca
Thaline Luize Ribeiro Fontenele – Campus Penedo
Levy Castelo Brandão – Campus São Miguel dos Campos
Sebastião Hugo Brandão Lima – Campus Satuba
Marcos Roberto Paixão Santos – Campus Penedo
Lucas Menezes Fonseca – Campus Arapiraca
Beatriz Medeiros de Melo – Campus Viçosa
Elaine Cristina dos Santos Lima – Campus Maceió


