Servidores/as reagem à vídeo da gestão do Ifal e criticam centralização das aposentadorias e pensões: “Fomos DES-CAR-TA-DOS!!!”
Repercutiu mal a tentativa da gestão do Instituto Federal de Alagoas em justificar a decisão do Reitor Carlos Guedes de entregar ao Instituto Nacional de Seguridade Social o poder de concessão e gestão das aposentadorias e pensões do Ifal.
O atual reitor foi um dos únicos do país que seguiu rapidamente a determinação do governo Bolsonaro, através do Decreto nº 10.620, rompendo o vínculo dos/as inativos/as com o Ifal.
“Contra fatos não há argumentos: Aposentados perderam o vínculo com o Ifal, ao qual pertenci por quase 33 anos, simples assim !!!! Fomos DES-CAR-TA-DOS!!!”, afirmou a aposentada Marília Góis, ex-diretora do Campus Marechal Deodoro.
Esse foi um dos inúmeros comentários publicados nas redes sociais do Ifal após a Diretora de Gestão de Pessoas, Adriana Nogueira, falar de forma elogiosa sobre a centralização das aposentadorias e pensões no INSS. A matéria foi publicada no site do Ifal no dia 28 de março e contém vídeo no qual a gestora afirma que não houve perdas para os/as servidores/as e sim “uma otimização de processos”.
“Desculpa, mas essa fala politiqueira não convence. Foi um crime desse atual reitor nos JOGAR para o INSS, um decreto inconstitucional que o genocida empurrou para os servidores públicos federais. Nós não somos descartáveis e temos uma folha de serviço prestada à instituição, EM SALA DE AULA. Merecemos respeito e todos que estão na ativa, não esqueçam, mais adiante irão se aposentar!”, publicou a aposentada Simone Patriota em resposta ao comentário da pró-reitora de Ensino, Cledilma Costa, parabenizando à DGP.
Por pressão do movimento sindical, o governo Lula suspendeu o calendário de migrações das aposentadorias e pensões dos órgãos de origem para o INSS, mas nada alterou para o Ifal, que entregou seus/suas inativos/as desde o dia 19 de fevereiro de 2022.
“ Vc é aposentada? Sei que não, então espera pra ver o que te aguarda por conta desse absurdo desse Guedes … Só o IFAL fez esse horror!! Nem UFs, nem IFs fizeram. Se fosse bom, outros teriam feito!”, afirmou a aposentada Léa Mello.
Para o aposentado Antônio Cícero, a gestão do Ifal deveria se arrepender do erro e buscar sua reversão. “O que o Reitor atual, Carlos Guedes, deveria fazer era lutar para reverter essa situação e não, trazer explicações desnecessárias para essa situação em que nós, ex-servidores do IFAL ( é assim como o INSS nos vê), estamos vivenciando”, disse o professor de língua portuguesa.
Servidores/as da ativa também rechaçaram a justificativa infeliz do cumprimento da medida bolsonarista. “Isso é o que podemos falar de banalização do mal. Ao invés de reconhecer o erro e a precipitação do Ato da gestão, tenta enganar os servidores. Isso é um absurdo”, afirmou o professor de história José Carlos.
Já o docente do Campus Maceió, entende que a publicação do vídeo na semana anterior às eleições, serve para tentar amenizar a crueldade da decisão do reitor. “As vésperas de um Pleito Eleitoral vêm uma explicação para o injustificável. Pq o CONSUP, não foi consultado? Pq os aposentados e a comunidade de servidores do IFAL não foi consultada? Por que, de forma subserviente, essa medida foi acatada? Onde está a gestão dialogada da campanha? Ficam as perguntas…”, indagou o professor Demetrius Morilla.
Sindicatos lutam pela reversão da medida de Bolsonaro
Os sindicatos de servidores/as do serviço público federal, desde 2012, estão na luta pela revogação do Decreto nº 10.620, que centraliza o poder de conceder e gerir a aposentadoria e pensões no Instituto Nacional de Previdência Social.
Atualmente, o órgão federal tem uma defasagem de 23 mil servidores/as – Segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) – e uma fila de 1,8 milhão de assegurados/as à espera de atendimento – dados do próprio INSS.
Em Alagoas, segundo o presidente do Sindprev, Ronaldo Augusto, o órgão não tem número de servidores/as suficientes para dar vazão à demanda. “Não temos condições de dar conta dos mais de 200 mil processos por mês”, disse.
Augusto citou o exemplo local: “Alagoas possui aproximadamente 200 servidores/as em atividade. Nas condições atuais, precisaria do dobro para dar conta da demanda. Mas não é o ideal, é o mínimo necessário”, disse o dirigente sindical, lembrando que o concurso realizado só tem 13 vagas previstas para o estado.
Sobre o Decreto nº 10.620, o sindicalista afirmou: “Movimento sindical é contra e estamos fazendo tudo para devolver. Nós requeremos à direção do INSS que seja devolvido para sua unidade de origem. Não é só uma luta de vocês, é uma luta nossa também”
Ronaldo concluiu a entrevista ao Sintietfal afirmando ter participado de reunião em Brasília com a presidência do INSS e deu uma notícia animadora. “A tendência é que retorne para os órgãos de origem. Não tem capacidade, no momento, de absorver os/as novos/as. Não só o movimento sindical quer devolver, o próprio governo pretende também”, assegurou.











