Em noite emocionante, Sintietfal reabre e inaugura o auditório Jarede Viana
O dia 4 de fevereiro ficará na memória dos/as presentes na inauguração do auditório Jarede Viana e na reinauguração da sede do Sintietfal. Foi uma noite completamente especial, cheia de agradecimentos, lembranças e muita emoção.
“Fica decretado que, a partir deste instante, /haverá girassóis em todas as janelas, /que os girassóis terão direito / a abrir-se dentro da sombra; /e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, /abertas para o verde onde cresce a esperança”
Parafraseando o poeta Thiago de Mello, o presidente do Sintietfal, Yuri Buarque, abriu a noite de solenidades diante de um auditório repleto de filiados/as, representações de outros sindicatos, de entidades estudantis e da família de Jarede Viana, além dos/as autores de livros do edital “Sintietfal Publica” e seus familiares.
O espaço sindical estava finalmente reaberto e ocupado pela base e por lutadores sociais. Esse era o grande presente que recebia o Sintietfal pela passagem de seus 30 anos, superando o longo momento de pandemia, de um governo fascista e de uma obra, que seria uma pequena reforma ainda em 2020 e acabou na construção de um espaço inteiramente novo, com auditório de 120 lugares e acomodação para o devido funcionamento do sindicato.
“O que passamos não foi fácil e o que conquistamos não foi pouco. E, assim, merece ser celebrado por todas e todos nós na nossa nova casa coletiva. Resistimos a tudo isso, fomos vitoriosos no campo eleitoral ante o projeto fascista de perpetuação do poder e, sem embargo, temos muito trabalho pela frente para enterrar definitivamente a ameaça golpista, restabelecer os direitos que foram vilipendiados e avançar nas conquistas para a nossa categoria e para a classe trabalhadora como um todo”, afirmou Yuri Buarque em seu discurso de abertura.
“Há 30 anos nasceu o Sintietfal para ser instrumento dessa luta, nesses 30 anos os percalços foram muitos, às vezes pareceram intransponíveis, mas nenhum deles foi capaz de destruir nossa entidade. Pelo contrário, o Sintietfal se mostrou maior do que cada desafio e de cada tentativa desviá-lo da luta para a classe trabalhadora. Enquanto houver fome, miséria, desemprego, negação direitos básicos, opressão e assédio em todas as suas facetas haverá trabalhadoras e trabalhadores em luta. E onde tiver luta, o Sintietfal estará presente”, concluiu o presidente ovacionado pela plateia.
Em seu lado, à mesa, o diretor do Sintietfal, Artur dos Anjos, explicou o desafio que recebeu ainda em 2020 quando assumia a tesouraria sem saber o que viria pela frente e as dores de cabeça que só uma obra pode dar. Em agradecimento pelo seu esforço e dedicação à construção da sede sindical, doando seu tempo e energias para o sucesso da obra, o sindicalista recebeu uma placa e o carinho dos aplausos de cada presente.
Também compartilhando assento na primeira mesa, a coordenadora geral do Sinasefe, Elenira Vilela, reconheceu a importância da entrega da sede e da categoria estar sempre a frequentando. “É um prazer enorme estar aqui e um prazer ainda maior ver cada um e cada uma de vocês aqui. Essa sede e nenhuma sede de sindicato pode ser um lugar que fique abandonado, é um lugar que vocês têm que frequentar, tem que trazer as demandas, tem que participar das assembleias, tem que estar nos movimentos, tem que acompanhar e permitir que a classe trabalhadora, as mulheres, as pessoas pretas e todo mundo que precise de organização tem que usar e tornar esse espaço vivo”.
Memória: Jarede Viana vive!
No segundo momento e o mais importante da noite, subiram à mesa o sobrinho de Jarede Viana, Marcos João Aragão Lisboa, e dois fundadores/as do Sintietfal: Jeferson Levino, primeiro presidente do sindicato; e Ivanilda Verçosa, amiga-irmã – em suas palavras – de Jarede Viana.
Com brilho nos olhos, Jeferson Levino, não escondeu a felicidade de estar ali: “É uma satisfação que eu estou passando hoje de ser fundador de uma instituição e ver o quanto ela está pegando corpo e alma. Graças a Deus a gente vê o sindicato florir e tomar fôlego. Se vocês estão orgulhosos com essa sede, imagine eu que criei esse sindicato”.
Compartilhando histórias de luta desde o nascimento do Sintietfal e dos anos de chumbo até o processo mais recente de redemocratização do Ifal, Jeferson e Ivanilda reconheceram a importância da escolha do nome do auditório.
“São tantos companheiros que já partiram, então eu fico emocionada em falar. Jarede Viana é uma referência e uma grande lutadora pela democracia e não apenas pelos nossos direitos enquanto classe trabalhadora: foi uma das fundadoras da União das Mulheres de Maceió, do movimento pela anistia em 1971, sociedade alagoana em defesa dos direitos humanos em 78 – É uma história riquíssima”, disse Ivanilda lembrando que, por andar muito com Jarede e Alba Correia, chamavam as três de “irmãs cajazeiras” em referência à uma novela na época.
A aposentada também demonstrou grande satisfação em ver o sindicato forte e atuante. “Eu quero parabenizar essa diretoria. Eu participei de uma assembleia para defender nossos direitos em relação ao INSS e eu senti – não que não tivesse sentido nas outras diretorias – a força e o compromisso, não só do presidente, mas de toda diretoria, para continuar na luta pelos nossos direitos e pela democracia”, concluiu Verçosa.
Sem esconder a emoção, o representante dos/as familiares presentes de Jarede agradeceu dizendo que “a felicidade da tia seria o funcionamento político desse sindicato atualmente”.
“Quando nós entramos aqui e vimos os girassóis, lembramos que depois de tanta luta que nós vivemos jamais imaginávamos o que aconteceu nos últimos seis anos. Foram seis anos sem luz. Aí minha irmã Márvia lembrou, que quando o Sol não aparece, os girassóis se viram uns para os outros para sobreviver. Isso aí é da camarada Jarede. Esse prédio é feito das energias dos girassóis que são vocês, que somos nós e que é Jarede. Porque Jarede Vive!”, disse Marcos Lisboa.
Lançamento dos livros Sintietfal Publica
Junto à inauguração da sede, foi realizado o lançamento das obras vencedoras do edital ‘Sintietfal Publica’. As publicações foram selecionadas em edital de apoio à editoração e publicação de livros de servidores/as sindicalizados/as, realizado em parceria com a Editora Phillos Academy.
Divididos em dois blocos, os/as autores/as subiram à mesa para apresentar suas obras à plateia presente e, ao final, realizar sorteio de exemplares.
O primeiro a falar foi o servidor Edson Moreno, autor de “E se for real?”, explicando que sua obra trata de uma ficção iniciada há anos, mas que viu no edital do sindicato o estímulo para sua conclusão. Ao seu lado, o professor Lucas Omena apresentou o seu livro “Heidegger e educação” como fruto de sua tese de doutorado no programa de pós-graduação em educação na Ufal. Também à mesa, a professora de filosofia Ellen Maianne veio de Arapiraca trazendo “seu livro preferido”, Metáforas de Phyna, uma história feminista voltada para o público infantil.
No segundo bloco, o docente Ari Denisson representou a obra “Quebra – poesia negra contemporânea MCZ”, coletânea organizada pelo TAE Richard Plácido, e a servidora Bárbara Guerreiro, autora da obra “Saúde e Adoecimento no Instituto Federal de Alagoas”, resultado de seu trabalho de mestrado em psicologia na Ufal.
Memorial e encerramento
Ainda nesta noite intensa, a direção do Sintietfal rendeu seus pesares aos/às servidores/as que faleceram em virtude da pandemia de covid-19 e da política genocida do governo Bolsonaro, que levou ao ótimo quase 700 mil brasileiros/as. Fechado em março de 2020, em virtude da pandemia, o Sintietfal reabre com uma placa em memória àqueles que não puderam retornar e ver a sede sindical reaberta.
Encerrando a noite, foi servido um coffe break ao som da banda “sem lenço, sem documento” dos servidores Edinilson Matias e Levy Brandão e da servidora Anny Barros, tocando músicas que embalam as lutas por dias melhores.
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