Milhares tomam as ruas de Maceió em Defesa da Educação e pela Democracia
Nesta terça-feira, 18 de outubro, Dia Nacional de Lutas, centenas de manifestações tomaram as ruas do Brasil por Democracia e em Defesa da Educação.
Em Maceió, milhares de pessoas, em sua maioria estudantes e servidores/as do Ifal e da Ufal, mostraram sua indignação aos ataques do governo à educação e à democracia. A mobilização teve concentração às 13h30 na Praça Centenário e caminhou até a Praça Deodoro.
Para Yuri Buarque, presidente do Sintietfal, Bolsonaro foi, e é, o inimigo número um da educação pública. “Semana passada, o governo foi obrigado a recuar no corte bilionário. Mas não podemos esquecer que em maio desse ano o governo já tinha efetuado um outro corte de recursos, que congelou 7,5% do orçamento das universidades e institutos federais. E esse recurso não volta mais”, disse Buarque, que também desmentiu o aumento salarial falado por Bolsonaro no último debate. “Ao contrário das mentiras que ele espalhou, os/as professores/as da rede federal, vinculados ao governo, não receberam um único centavo de aumento”, explicou o sindicalista. Assista o vídeo na íntegra:
A manifestação foi organizada pelo do Sindicato dos Servidores Públicos Federais da Educação Básica e Profissional no Estado de Alagoas (Sintietfal), Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet) e pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (DCE – Ufal). Durante todo o percurso, cartazes, faixas e falas no carro de som denunciaram o baixo investimento realizado na educação, somados aos cortes na verba de custeio dos institutos e Universidades.
O Diretor-Geral do campus Satuba, Valdemir Chaves Filho, exibiu gráficos estampados em um cartaz, demonstrando a queda dos recursos nos últimos anos. “Quando eu fui eleito diretor, o orçamento de Satuba era de R$ 5 milhões (2018). O orçamento do ano passado foi R$ 3 milhões. Os institutos e universidades estão sendo atacados à toa. Estão sendo atacados porque temos voz, força e credibilidade na sociedade. A nossa arma é o conhecimento, a verdade, os dados.”, alegou o docente.
Também presente nas ruas, o reitor da Universidade Federal de Alagoas, Josealdo Tonholo, usou o microfone para defender a educação pública. “Precisamos de uma educação superior bem suprida, com professores bem preparados, com infraestrutura adequada. Infelizmente não é esse o modelo que está sendo adotado no Brasil recentemente. Não aguentamos mais tesouras e armas. Precisamos de livros!”.
A Reforma Administra foi outro tema rechaçado pelos manifestantes. “Derrotar Bolsonaro e depois manter mobilizar para derrotar a PEC 32, que acaba com o serviço público e com a educação pública”, conclamou Artur dos Anjos, lembrando que faltam poucos dias para a eleição.
Piranhas
No Ifal Campus Piranhas, a diretoria do Sintietfal, o Grêmio Estudantil Olga Benário e servidores/as, reuniram os alunos em um ato durante os intervalos das aulas. O propósito foi a conscientização dos estudantes sobre os cortes e os constantes ataques que a rede federal vem sofrendo desde o governo Temer, intensificados por Bolsonaro.
O professor de história, Thyago Ruzemberg, iniciou o debate mostrando um panorama histórico e didático dos cortes, exemplificando onde e o que afetam. O professor de Geografia e membro do Sintietfal, Claudemir Martins, deu um relato emocionado sobre sua trajetória pessoal e acadêmica, enfatizando que ela só foi possível graças as instituições de ensino gratuitas de qualidade. “Instituições que não caem do céu, mas que foram frutos de muita luta política, uma luta que se faz constantemente necessária. Especialmente agora, diante desses assombrosos cortes”, disse Martins.





