34º Congresso do Sinasefe aprofunda debate sobre conjuntura e educação
O segundo dia do 34º Congresso do Sinasefe foi dedicado aos debates sobre conjuntura e educação. Em duas mesas, junto com as defesas pelos/as delegados/as das 37 teses apresentadas ao Congresso, os temas foram aprofundados pelos presentes apontando a necessidade de mobilizar a base do Sinasefe para lutar por um país sem fome, desemprego e ataques a direitos.
Diante da situação do país, os/as presentes foram uníssonos/as na defesa da luta pelo ‘Fora Bolsonaro’. “A derrota de Bolsonaro e do bolsonarismo não virá apenas com as eleições, que a gente não tem nem garantia de que vai acontecer e que terá respeitado o seu resultado. Não podemos esperar que isso aconteça para mobilizar as forças de resistência. Precisamos ocupar as ruas para hastear a bandeira do programa da classe trabalhadora”, afirmou Yuri Buarque, presidente do Sintietfal, em defesa da tese sobre conjuntura.
Para a diretora de comunicação, Ana Lady, o projeto político de Bolsonaro precisa ser derrotado. “O futuro dos nossos filhos e filhas e dos e das jovens está em risco. É preciso lutar contra esses ataques perniciosos do governo e do poder político atuante desde o golpe contra Dilma. E para isso, nas próximas eleições, devemos, por meio do voto, barrar Bolsonaro e seus apoiadores. Votemos com consciência para a câmara de deputados, para o senado e para presidência”.
Com o tema “qual é a principal tarefa da classe trabalhadora no atual momento?”, a mesa da manhã contou com as presenças de Francieli Rebelatto (diretora do Andes-SN), José Genoino (militante histórico do PT), Valério Arcary (professor aposentado do IFSP) e Virgínia Fontes (professora da UFF).
Segundo Virgínia Fontes, a proposta de implantação das escolas militares é uma farsa, na verdade são escolas policializadas e milicializadas. Também chamou a atenção sobre a burguesia que, agindo com as bandeiras do empresariado, tem drenado os recursos financeiros da educação pública para existir. “Estamos enfrentando uma corrida pela vida humana contra o capital”, disse Virgínia.
Ainda pela manhã, outra delegada do Sintietfal, Andrea Moraes, fez a defesa da tese “Não há capitalismo sem racismo”. “Quando nos colocamos numa posição de combate ao racismo, temos que entender que ser antirracista é ser anticapitalista. Quem vai ser favorecido pelo racismo vai ser as classes dominantes. Enquanto sindicato, se mantivermos essa postura estaremos reproduzindo a ideologia fascista da classe dominante. Precisamos fortalecer o debate antirracista no próprio Sinasefe”, disse a docente.
Já na mesa da tarde, sobre educação, contou com a as presenças de Carla Jardim (IFFar), Dante Moura (IFRN), Raquel Caetano (IFsul) e Ricardo Marinho (Professor e Historiador).
De acordo com o diretor do Sintietfal e delegado ao Congresso, Claudemir Martins, a luta pela educação é uma luta de toda a sociedade. “É necessária a compreensão dos servidores de que a luta em defesa da educação pública e popular é uma luta da classe trabalhadora. Nesse sentido, cada servidor deve se reconhecer enquanto trabalhador, membro dessa classe e assim se engajar na luta, especialmente, na construção do sindicato, do movimento, ferramentas imprescindíveis da nossa classe e fundamentais para mover a história”, afirmou Martins.
A professora Raquel Caetano trouxe a situação da Rede Federal e as reformas do ensino médio e a BNCC. “A reforma do Ensino médio, via medida provisória 13.415/2017, alterou a LDB sem debate, apenas defendendo os interesses da burguesia e minando a qualidade da educação pública. O discurso para os motivos dessa reforma foram a suposta crise de audiência, ou seja, o abandono escolar, a falência do Ensino Médio, currículos atrasados e que não possuem relação com o mercado de trabalho entre outros”.

Com essa reforma, por meio da Medida Provisória 746/2016 e da Lei 13.415/2017, houve a alteração do financiamento da educação, da oferta de disciplinas, certificação do notório saber, parcerias com as empresas privadas e uma lista enorme de outros prejuízos para a educação do Brasil.
“A ideia veiculada de ‘flexibilizar’ é para desarticular, desescolarizar, mercadificar e desdemocratizar. E o resultado é a sociedade do século XXI tendo o sujeito empreendedor de si, mas sem nenhuma garantia de emprego no mercado de trabalho e sem direitos trabalhistas”, completou a docente.






