Retrospectiva Sintietfal 2021: Esperança ressurge da mobilização e da luta
“Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir!” (Paulo Freire)
O ano de 2021 chegou ao fim. Foi um ano difícil, com acontecimentos tristes e revoltantes, mas ao mesmo tempo um ano em que a luta e a resistência possibilitaram ao povo brasileiro voltar a ter esperanças.
Em 2021, mais de 4 mil brasileiros morreram por covid-19 em um único dia, chegando a mais de 600 mil mortos no acumulado desde o início da pandemia. Mas também foi o ano da vacinação, em que o povo foi à luta por vacinas e contra a política genocida de Bolsonaro. Foi o ano que a ciência mostrou que vence a mentira e o vírus.
Cortes na educação, destruição do meio-ambiente, corrupção na compra das vacinas, tentativa de destruição dos serviços públicos e até o chamado do presidente para um golpe militar também marcaram 2021. Por outro lado, houve resposta: o povo voltou aos milhões às ruas para defender a vida, os direitos e a democracia.
Nesta retrospectiva, o Sintietfal te convida a relembrar acontecimentos importantes do ano em que Paulo Freire completaria 100 anos e que certamente comemoraria, junto aos/às servidores/as do Ifal, a adoção do passaporte da vacina e a vitória na luta contra a reforma administrativa.
Sumário:
– Luta por retorno seguro garante passaporte da vacina no Ifal
– PEC 32: Bolsonaro e Arthur Lira são derrotados em 2021
– #ForaBolsonaro: povo na rua impõe derrotas ao governo
– Em defesa do Ifal e contra os cortes na educação
– Lutas nacionais: portaria 983, PNLD democrático, plenas do Sinasefe
– Retrocessos: corte das rubricas, flexibilização, ponto eletrônico
– Sindicato: ampliação da sede, edital Sintietfal Publica, convênios, sorteios e brindes
– Solidariedade: doação de cestas básicas e apoio a documentários
Luta por retorno seguro garante passaporte da vacina no Ifal
O dia 22 de dezembro ficará marcado na história do Ifal. Após mais de 10 horas de reunião, os/as membros/as do Conselho Superior da Instituição definiram, sem nenhum voto contrário, a adoção do passaporte da vacina para acesso aos campi e reitoria do Instituto.
A proposta, defendida pelo representante sindical no Consup, Yuri Buarque, contou com o apoio dos campi Satuba, Marechal Deodoro, Penedo, São Miguel e Maceió, que aprovaram em seus conselhos a recomendação desta medida, e deu um passo mais firme na luta em defesa do retorno seguro para todos/as no Ifal.
Essa vitória honra com a memória dos/as servidores/as que foram vitimados pelo vírus ou que tiveram parentes e amigos/as mortos sem a chance de terem tomado a vacina contra a covid-19.
Até chegar nesta data, o Sintietfal convocou a categoria para a luta em defesa do retorno gradual, seguro e escalonado para todos/as. Foram assembleias gerais, reuniões com a reitoria, ofícios, notas públicas e até uma manifestação realizada no dia 10 de novembro.
A mobilização contou com dezenas de servidores/as, que compareceram à reitoria usando preto e com cartões de vacina em mãos, para reivindicar respeito aos TAEs na volta ao trabalho presencial, medidas sanitárias mais firmes e a garantia das 30 horas nos ambientes organizacionais da instituição.
PEC 32: Bolsonaro e Arthur Lira são derrotados em 2021
A PEC 32, também conhecida como PEC da rachadinha, era a grande aposta do governo Bolsonaro para ser aprovada no Congresso Nacional em 2021. Mesmo contando com o apoio do presidente da casa, Arthur Lira, e comprando votos de parlamentares, os/as servidores/as públicos/as venceram a quebra-de-braço e garantiram a matéria não ser votada em 2021.
O Sintietfal participou ativamente dessa luta, fortalecendo as caravanas à Brasília, construindo mobilizações e campanhas em Alagoas e tendo o protagonismo de convocar para Maceió uma grande manifestação nacional para enterrar a reforma administrativa, no dia 10 de dezembro, reunindo mais de 7 mil pessoas diante da residência de Arthur Lira.
No primeiro semestre, o Sintietfal passou a fazer publicações regulares para alertar à sociedade sobre os riscos dessa reforma. Em conjunto com a Adufal, Sintufal e Sinteal, realizou campanha de mídia unificada com vídeos, spots para rádios, faixas e outdoors.
No segundo semestre, esteve durante 10 semanas na luta em Brasília, enviando caravanas, participando das blitz no aeroporto, das marchas e dialogando com os/as parlamentares de Alagoas. Por seu protagonismo, teve um diretor sindical, Eurico Junior, perseguido pelo presidente da Câmara de Deputados.
Também realizou campanha com artistas contra a PEC 32, visitou rádios, participou da caravana à Arapiraca, participou de ato contra as privatizações no Centro no dia 13 de julho e convocou, junto com os sindicatos de Alagoas, um ato no dia 18 de agosto, dia nacional de greve do serviço público, para a porta da casa de Arthur Lira.
Mesmo com a vitória da não aprovação da reforma administrativa em 2021, o Sintietfal segue em alerta para que a destruição do serviço público não seja levada ao congresso em 2022.
#ForaBolsonaro: povo na rua impõe derrotas ao governo
Como resultado da política genocida do governo Bolsonaro, 2021 chegou a terrível marca de 600 mil mortos pela covid. Só nos meses de março, abril e maio, o vírus matou mais de 207 mil brasileiros, entre eles, os servidores do Ifal Gilvan Amorim, Osineide Cavalcante, Alberto Sexta-feira, Maria Madalena e Josemilton Vasconcelos. Mesmo assim, Bolsonaro fez discurso contra a vacina e as medidas de isolamento social e disse que o problema do país era não ter voto impresso.
Percebendo que o governo era mais letal do que o vírus e que as carreatas, como a realizada no dia 31 de janeiro, tinham pouco alcance social, o povo brasileiro decidiu voltar às ruas no dia 29 de maio. Munidos de álcool em gel e máscaras pff2, a esperança se fez com o povo na rua.
A partir desta data, foram realizadas sete manifestações que levaram milhões de pessoas à luta, principalmente em junho, quando a CPI da Covid começou a ter evidências dos crimes cometidos pelo governo Bolsonaro e estourou as denúncias de corrupção na compra das vacinas.
Graças à pressão das mobilizações, a vacinação avançou em todo o Brasil de forma gratuita pelo SUS. Mesmo com a campanha de fake news contra a vacina, a população compareceu em peso aos postos de saúde, derrotando o vírus e o governo Bolsonaro.
As manifestações também frearam a sanha golpista de Bolsonaro e os militares para dar um golpe totalitário no Brasil. O povo enfrentou o medo e esteve nas ruas, levando resistência ao 7 de setembro.
Durante todo o ano, o Sintietfal se orgulha de ter construído ativamente todas as grandes manifestações pelo ‘Fora Bolsonaro’ em Maceió e no interior em defesa da vida, pela vacinação em massa, por renda básica, pelos serviços públicos e pela educação pública, gratuita e de qualidade.
Em defesa do Ifal. Contra os cortes na educação
Com o orçamento inferior ao do ano de 2011 e apenas 40% desse valor liberado, o Sintietfal iniciou em maio a campanha ‘Em defesa do Ifal’. O primeiro ato público foi no dia 19 de maio, em frente ao campus Maceió, com a presença da fenet, do DCE-Ufal e do Sinteal.
Após essa data, foram milhares de panfletos e adesivos entregues durante todo o ano, conscientizando a população alagoana da importância do Ifal para o povo. A campanha alertou para o risco da não conclusão de obras e a paralisação da instituição por culpa dos cortes de Bolsonaro, Paulo Guedes e seus diversos ministros da educação.
Lutas locais: afastamento para pós-graduação, defesa da remoção interna e exercício compartilhado e novos concursados
Em 2021, o Sintietfal desenvolveu lutas vitoriosas dentro do Ifal. Após duas reportagens com denúncias de servidores/as, realização de assembleias, colocação de faixas e cobrança à reitoria, o Ifal contratou professores/as substitutos para possibilitar o afastamento para a qualificação.
Docentes aprovados/as em edital interno chegaram a aguardar mais de um ano para serem liberados/as de suas atividades no Ifal para se dedicarem aos seus programas de pós-graduação.
Uma outra luta que o Sintietfal se empenhou e saiu vitorioso foi a defesa da remoção interna na Instituição. Esse direito ficou sob ameaça após a reitoria tentar instituir o exercício compartilhado. Com a realização de uma rodada de assembleias nos campi, escutando os/as servidores/as, o Sintietfal encaminhou um dossiê com sugestões à reitoria. Graças a uma liminar, a justiça determinou a suspensão do edital de exercício compartilhado no Ifal, para que fosse publicado o edital de remoção interna antes.
Outra luta importante foi para que professores/as aprovados/as em concursos do Ifal fossem nomeados. Em maio, o Sintietfal reuniu com um grupo de professores/as e se comprometeu a pressionar a reitoria pelo ingresso dos/as novos/as servidores/as e, consequentemente, pelo fortalecimento dos serviços públicos.
Lutas nacionais: portaria 983, PNLD democrático, plenas do Sinasefe
No âmbito nacional, o Sintietfal também se envolveu e até foi protagonista de debates importantes para a categoria, como a portaria 983, que piora a carga horária docente, e a defesa de um Plano Nacional do Livro Didático Democrático.
Com a reforma do ensino médio e a escolha do novo livro didático, o Sintietfal, por meio da diretora de comunicação, Ana Lady, esteve desde o primeiro momento na formação da Frente por um PNLD Democrático, assinando manifesto de fundação e organizando lives e webnários. Destaque para a live com Gaudêncio Frigotto, no dia 24 de maio, e o webinário sobre o objeto 2 do PNLD, realizado em agosto.
Já sobre a Portaria 983, o Sintietfal participou ativamente da pressão em Brasília pela revogação da medida que prejudica a carga horária docente. Esteve nas sessões da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados que pautou e aprovou o projeto de Decreto Legislativo Nº 483 de 2020, que susta os efeitos da Portaria. Devido à pressão do Sinasefe e do Conif, o Ministério da Educação decidiu prorrogar para julho de 2022 a implementação da nova medida.
Além disso, marcou presença em todas as plenas do Sinasefe e, na última, elegeu a vice-presidenta do Sintietfal, Elaine Lima, para a comissão eleitoral das eleições do sindicato nacional, que deve ocorrer em 2022.
Retrocessos: corte das rubricas, flexibilização, ponto eletrônico
2021 também foi um ano de retrocessos em direitos conquistados pelos/as servidores/as do Ifal. Em janeiro, os/as aposentados/as foram surpreendidos com o corte salarial de percentuais consolidados em seus contracheques, como os 49,13%, ganho decorrente de planos econômicos Bresser, Verão e Collor. O Sintietfal realizou reuniões com os/as atingidos pela medida do governo Bolsonaro, com a reitoria, com escritórios jurídicos e até hoje aguarda pelo julgamento de uma ação no Tribunal Regional do Trabalho sobre o retorno da rubrica.
Os/as servidores/as da ativa, particularmente, os/as TAEs também tiveram retrocesso no ponto eletrônico, com o fim da modalidade editável, e na flexibilização. Mesmo com uma grande luta em março que resultou na aprovação Resolução 04 no Conselho Superior, a qual garantia uma ampliação das 30 horas no Ifal, o ano foi encerrado com a revogação da resolução.
A reitoria publicou uma portaria, retomando do zero a flexibilização da carga horária dos TAEs. O diretor do Sintietfal, Marcondes Inácio, no último Consup do ano, apontou os retrocessos da portaria em relação à resolução e a reitoria se comprometeu em modificá-la. Atualmente está suspensa as 30 horas no Ifal.
Sindicato: ampliação da sede, edital Sintietfal Publica, convênios e sorteios e brindes
O Sintietfal também teve diversas iniciativas para beneficiar seus/suas filiados/as. Primeiro – e mais importante – decidiu reformar a sede do sindicato, ampliando seu patrimônio com a construção de um auditório para 200 pessoas, novas salas e espaços para a categoria.
Em março, decidiu lançar o edital “Sintietfal Publica” oferecendo aos/às servidores/as a oportunidade de lançar livros custeados pelo sindicato. Ao todo, foram 7 filiados/as beneficiados, que já estão com seus livros publicados e, em breve, serão lançadas suas versões impressas na inauguração do novo auditório.
Como forma de ampliar as vantagens para os/as sindicalizados, novos convênios foram firmados e todos os anteriores foram renovados. Importante registrar que os/as servidores/as beneficiários/as da Unimed tiveram o menor reajuste dos últimos 20 anos no plano de saúde, de apenas 3%.
O Sintietfal ainda realizou sorteios de brindes para seus/suas filiados/as no dia do servidor/a e de cestas no período natalino. Também houve sorteio como premiação da campanha de recadastramento, realizada no começo do ano.
Solidariedade: doação de cestas básicas e apoio a documentários
Devido à pandemia e ao corte do auxílio emergencial nos primeiros meses de 2021, o Sintietfal aprovou a doação de 300 cestas básicas para o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas distribuir em comunidades carentes de Maceió e entre catadores de materiais recicláveis de Alagoas. Além disso, doou duas toneladas de comida para as cozinhas coletivas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Maceió, distribuírem gratuitamente refeições ao povo pobre.
Também solidário aos/às atingidos/as pela Braskem, o Sintietfal apoiou a produção do documentário “A BRASKEM PASSOU POR AQUI: A catástrofe de Maceió”, do cineasta Carlos Pronzatto. O mesmo cineasta também produziu em 2021, com apoio do Sintietfal, documentário sobre o Padre Júlio Lancelotti.

















