7 de outubro de 2021

Live: Hugo Brandão, presidente do Sintietfal, lança livro sobre ensino híbrido

Atividade conta com a participação de Gaudêncio Frigotto

O presidente do Sintietfal, Hugo Brandão, lançou na última quarta-feira, 6 de outubro, seu mais recente livro, “Problematizando o Ensino Híbrido”. O evento de lançamento foi realizado pelo canal do Sintietfal no YouTube e contou com a presença do professor dr. Gaudêncio Frigotto.

A obra pode ser baixada gratuitamente na página da editora Phillos Academy ou comprada em sua versão impressa pela Amazon. Frigotto, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), assina o prefácio da obra.

O livro foi inspirado pelas mudanças na educação decorrentes da pandemia de Covid-19. Brandão percebeu o aceleramento da implantação do ensino híbrido no país e tomou esse processo como pano de fundo para realização de uma obra crítica à forma como foi adotado do ensino híbrido pelo governo federal.

Em entrevista para o Departamento de Comunicação e Eventos do Ifal (DCE), Hugo explica o conceito de ensino híbrido, os mitos, os erros de compreensão e as dificuldades enfrentadas pelas escolas brasileiras, para a sua efetivação.

Confira a entrevista

DCE – Você poderia fazer uma pequena explanação sobre o que é o ensino híbrido? De uma forma mais coloquial?
Hugo – A Educação Híbrida consiste na modalidade de ensino que mescla o ensino virtual ao ensino presencial. Nesse modelo de educação, visa-se ensinar a nova geração por meio das novas tecnologias digitais. Com o discurso de autonomia dos estudantes e valorização de suas experiências, a prática pedagógica ocorre através de atividades que combinam a ação protagonizada pelo estudante e o compartilhamento desses estudos com outros grupos em estudos on-line/off-line. Os recursos digitais (tablets, celulares, computadores, entre outros), nesse cenário, constituem-se como ferramentas a serem utilizadas em vários locais, não ficando o grupo e o processo de ensino-aprendizagem restrito à sala de aula. Dentre as vantagens divulgadas pela prática, destacam-se, sobretudo, a flexibilidade, rotatividade, autonomia, inserção no mundo digital, integração e colaboração entre os estudantes, dentre outras. A educação híbrida tem sido apresentada como o mais novo paradigma educacional. Trata-se de uma abordagem pedagógica que mescla atividades presenciais e atividades realizadas por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs).

DCE – O que ele representa para os métodos convencionais de ensino/aprendizagem? Há mitos ou dificuldades de compreensão entre as duas metodologias?
Hugo – A educação híbrida – ou ensino híbrido –, conhecida também como blended-learning, tornou-se um conceito-chave para compreendermos a educação na atualidade, ainda que o ensino híbrido sempre tenha estado presente na educação, uma vez que ele não se limita somente ao que se é planejado de forma intencional e institucional. Embora a aprendizagem se dê, também, por meio de processos organizados, ela igualmente se dá a partir de processos abertos e informais, alterando a relação entre o professor e os estudantes. Isto é, no modelo de ensino híbrido, o professor passa a exercer um papel de mediador do conhecimento, não mais de portador e/ou detentor do conhecimento, como foi durante muito tempo no ensino tradicional. Há, também, uma amplitude do entendimento de ensino-aprendizagem a partir de uma maior autonomia dos alunos e ampliação do uso de novas tecnologias e de espaços virtuais. No entanto, confunde-se muito ensino híbrido com Educação a Distância ou mesmo Ensino Remoto. Essa confusão acaba por poluir o debate em relação ao modelo de Ensino Híbrido, acarretando confusões de entendimento, por exemplo, a afirmação de que para se ter essa modalidade, basta se utilizar de espaços virtuais.

DCE – Como você avalia a aceitação do Ensino Híbrido, a partir desse momento da pandemia? O conceito é compreendido e passou a ser usado de forma efetiva pelas instituições?
Hugo – Houve, na verdade, um aceleramento na implementação do Ensino Híbrido tendo como pano de fundo as necessidades atribuídas aos impactos da pandemia. Isso se deu sem que houvesse um amplo debate na sociedade e entre os entes que fazem educação; sem levar em consideração as diferenças sociais, econômicas e regionais em nosso país; bem como, a formação dos docentes. Logo, trata-se de uma modalidade de ensino que foi, por meio de decreto, imposta aos brasileiros e que precisamos acompanhar como se dará a implantação e a aceitação. Para muitos, o Ensino Híbrido é uma novidade e pouco conhecido ou o que se tem de informação é superficial e pouco se consegue mensurar seus impactos, seja na carreira docente, seja na vida dos alunos e no processo de ensino-aprendizagem. Porém, este conceito está se enraizando no debate nos espaços educacionais e passa nortear os projetos pedagógicos das instituições educacionais.

DCE – Quais são os desafios para utilizar o Ensino Híbrido, em sua potência?
Hugo – O maior desafio é sem sombra de dúvidas as desigualdades existentes no Brasil, as quais tratamos com seriedade em nosso livro. Destaco a desigualdade tecnológica: maior parte dos estudantes não tem, hoje, condições adequadas para estarem inseridos no modelo de Ensino Híbrido. Tampouco há indícios, por parte do poder público, de que teremos uma política pública para tratar e solucionar com seriedade esse grande problema que hoje inviabiliza adotarmos o Ensino Híbrido da forma que é pretendida, se anuncia e estabeleceu por força de decreto. Um outro grande desafio, não tão menos importante, são os impactos para a carreira docente, por diversas questões que abordamos no livro.

Confira o lançamento na íntegra

Com informações: www.Ifal.edu.br

7 de outubro de 2021

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