Retorno presencial: Assembleia define luta conta os cortes de verbas e por vacinação para todos/as
Servidores/as do Ifal vão levar a bandeira da educação para o Grito dos/as Excluídos/as, no dia 7 de setembro
Os/as servidores/as do Ifal, em Assembleia Geral, definiram que as lutas contra o corte de verbas e por vacina no braço são essenciais para possibilitar o retorno presencial na instituição. A Assembleia foi realizada na última quinta-feira, 26 de agosto, de forma virtual.
“É preciso discutir questões que estão por trás desse retorno. Não é apenas se queremos que seja presencial ou não. É o retorno de uma instituição que sequer tem dinheiro para sustentar álcool gel e máscara para nossos alunos. Fora isso, graças ao governo, apenas essa semana começou a vacinação dos jovens. É preciso ir às ruas para derrotar esse governo inimigo da educação”, afirmou Hugo Brandão, presidente do Sintietfal.
A assembleia aprovou a convocação da categoria para o próximo ato nacional “Fora Bolsonaro”, que acontecerá no dia 7 de setembro, junto ao tradicional Grito dos/as Excluídos/as, organizado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), desde 1995.
“Em falas recentes, o ministro da educação teve o disparate de dizer que o sonho da universidade pública não é para todos/as, e que o futuro estaria na mão-de-obra técnica formada pelos Institutos Federais. Mas a verdade é que nem isso tem como se concretizar nesse terrível governo. Dizer que o futuro está nos IFs e, ao mesmo tempo, minguar o investimento em tais instituições é, para dizer o mínimo, uma grande hipocrisia”, disse Yuri Buarque, secretário-geral do Sintietfal.
A categoria levará a bandeira da defesa do Ifal que este ano possui orçamento equivalente ao de 10 anos atrás e não tem condições de ofertar funcionamento presencial diante dos cortes e do contingenciamento realizado pelo governo Bolsonaro.
“Nós não temos dinheiro suficiente para retornar às aulas e isso não tá sendo levado para a sociedade. Eles estão jogando isso na conta da vacinação e da pandemia, mas estão escondendo a precária da situação dos IFs”, afirmou Andréa Moraes, em sua intervenção na Assembleia.
Em Maceió, a manifestação está marcada para a Praça Sete Coqueiros, a partir das 9 horas. O ato deve seguir em marcha pela Orla até o final da praia da Pajuçara.
Retorno presencial
Após longo debate e diversas intervenções, a Assembleia aprovou a construção de uma carta aberta com a opinião da categoria sobre o assunto, esclarecendo à sociedade sobre a importância da vacinação e os riscos envolvidos.
“Matar a educação não é só tirar a verba da escola. Estão nos matando também. Nas escolas, onde houve o retorno presencial, as crianças, os/as jovens e os/as professores/as estão pegando covid, sendo internadas por causa do vírus e morrendo. Não basta instituir protocolo. A gente sabe que na escola os/as jovens e as crianças tiram as máscaras, apertam as mãos, se abraçam, dividem o lanche. Não existe protocolo de segurança para uma criança que está há um ano presa dentro de casa e de repente se vê voltando para a escola e achando que está tudo normal. Não é normal 900 pessoas morrerem todos os dias, mesmo sendo uma taxa menor que outros meses, mas ainda são pessoas, são vidas. Os jovens estão começando a se vacinar agora e ainda precisam de 90 dias para tomar a segunda dose, então a hora do retorno não é agora”, defendeu a diretora do Sintietfal, Ana Lady, com posicionamento contrário ao retorno neste momento.
O servidor Luís Márcio e servidora Ana Leal citaram a chegada da variante Delta e demonstraram preocupação: “Acho que é um erro retornar quando a delta está começando a explodir no país. Em todos os lugares do mundo em que se reabriram escolas, o contágio aumentou. No ano passado, quando estavam morrendo menos pessoas, a gente não achou que era hora de voltar. A gente decidiu que era hora do ensino remoto”, disse Luís.
A preocupação com as condições de retorno também foram apresentadas no debate. “É preciso pensar para além de ter álcool em gel. Vai ter adaptação para dar aula ao ar livre? Vai ter filtro hepa nos ar-condicionados? Vai ter medidor de CO² nas salas de aula? Distribuição de máscaras pff2?”, acrescentou o servidor.
“Não existe nenhum planejamento, estão jogando a responsabilidade do retorno nesse levantamento. Aí o aluno retorna e, na hora do intervalo, vai comer álcool gel? Quando volta pra casa vai ter um monte de lição pra encher a barriga? O desemprego e a fome cresceram e é preciso que o Ifal se preocupe com a permanência desse aluno. O Ifal vai manter o almoço? Vai aumentar os auxílios?”, pontuou a diretora do Sintietfal.
Apesar das falas apresentarem avaliação positiva sobre do Ifal ter tomado a iniciativa de uma consulta pública, a Assembleia aprovou por unanimidade a necessidade da realização de uma audiência pública sobre o tema e o encaminhamento da decisão final para o Conselho Superior.
“Antes de chegar no Consup, a reitoria deveria fazer uma grande audiência pública de forma remota, com especialistas, com o sindicato, com representante dos campi. Um grande debate público sobre o que significa 27% da vacinação, o que representa a variante Delta. A reitoria precisa assumr a responsabilidade dela, chamar uma audiência pública com todos os atores sociais”, defendeu Claudemir Martins, diretor do Sintietfal.
Ainda sobre o retorno às aulas, a assembleia apontou que o sindicato deve defender, antes de mais nada, a vida e propor que o Ifal, a exemplo do que foi definido pelo IFCE e pela UECE, oficialize a manutenção do trabalho remoto até 31 de dezembro de 2021.
Para os presentes, essa data vai permitir que todos/as os/as alunos tenham condições de ter tido sua completa imunização e que a Instituição possa cobrar o cartão com as duas vacinas.
168ª Plena do Sinasefe
A Assembleia Geral aprovou ainda os nomes de Yuri Buarque e Andréa Moraes como delegados do Sintietfal à 168ª Plena do Sinasefe, como representante da direção e da base, respectivamente. A Plena ocorreu no último sábado, 28 de agosto, de forma virtual.
Reforma da Sede
No início da Assembleia, os/as presentes puderam acompanhar ao vivo o andamento da reforma da sede do Sintietfal através do tesoureiro Artur dos Anjos, que participou da atividade diretamente da obra. Os/as filiados/as demonstraram satisfação com a transparência do sindicato e o projeto da nova sede.





