Professor do Ifal é intimado pela polícia a prestar esclarecimentos por postagem contra bolsonarista
Docente usou suas redes sociais para criticar tiro disparado por manifestante a favor de Bolsonaro
O professor de filosofia do Ifal, Cosme Rogério, foi intimado pelo delegado da Polícia Civil, José Rosivaldo Vilar da Silva, a comparecer na 64º Distrito Policial de Palmeira dos Índios para prestar esclarecimentos sobre sua postagem nas redes sociais devido à critica que faz sobre o tiro dado para cima por manifestante a favor de Bolsonaro.
O bolsonarista, já identificado como Guarda Municipal, compareceu armado a uma carreata a favor do voto impresso, neste domingo, 1 de agosto. Ele foi filmado e teve vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, efetuando um disparo no bairro Vila Nova, periferia da cidade de Palmeira dos Índios.
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“Recebi uma intimação para comparecer à Delegacia de Palmeira dos Índios para prestar esclarecimentos quanto ao post que fiz na segunda passada sobre a carreata bolsonarista em que um indivíduo (depois soube que era guarda civil municipal) atirou para o alto, ao passar pelo meu bairro – fato documentado em vídeo, testemunhado por moradores e bastante noticiado no Estado. Reparem bem a lógica: um indivíduo dá tiros em via pública e quem vai ter de prestar esclarecimentos à polícia? Quem reclamou!”, postou Cosme Rogério em sua rede social.
Para o docente, escritor e poeta há um simbolismo na atitude fascista e intimidadora realizada pelo bolsonarista, justamente no bairro onde ele foi criado. “A Vila é meio quilombo, meio aldeia, formada originalmente por roceiros dos arrabaldes do município. É uma espécie de “periferia da periferia” da cidade. É o endereço da Fundação de Amparo ao Menor. É tudo o que o bolsonarismo odeia. Por isso aquele tiro ferindo o céu da Vila Nova, além de ser um tiro de ódio, quis também ser um tiro que amedronta e coage o povo: uma demonstração pública do que se pretende de fato com essa tese fraudulenta do ‘voto impresso auditável’, como se o voto no Brasil já não o fosse”, publicou Rogério.
A utilização de arma de fogo em manifestação pública, por si só já é um crime, previsto na Constituição Federal. A Articulação Povo na Rua de Palmeira dos Índios, em nota, denunciou essa ato como “uma ilustração do cenário de violência latente e de pulsão de morte que os setores bolsonaristas palmeirenses preparam há muito”.
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O Prefeito da Cidade de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar, condenou a atitude de seu funcionário público e informou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar para apurar sua conduta. Já o Secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar, através do twitter, disse que determinou a prisão do homem que fez o disparo.
O Sintietfal repudia a intimação de seu filiado e cobra publicamente das autoridades imediata punição pela atitude criminosa do Guarda Municipal.



