12 de dezembro de 2020

Diretor do Sintietfal publica livro sobre a questão agrária e a luta pela terra no sertão de Alagoas

Lançamento está marcado para quarta-feira, 16 de dezembro, pelo facebook

O livro “Resistência do Campesinato em meio à contrarreforma agrária no Brasil”: da luta pela terra à luta para permanecer nos territórios dos assentamentos rurais no Sertão de Alagoas”, de autoria do professor do IFAL Pinharas e diretor do Sintietfal, Claudemir Martins, será lançado nesta quarta-feira, 16 de dezembro. A data foi adiada em virtude do falecimento do professor Rafael Navas, coordenador do curso de agroecologia da Ufal.

O lançamento é uma organização dos movimentos e organizações sociais do campo em Alagoas e será transmitido virtualmente a partir das 15 horas pelo facebook do MST Alagoas, CPT Alagoas, MLST Alagoas e Neabi Ifal.

A obra é fruto da tese de doutorado do professor de geografia e coordenador do Neabi do Ifal Piranhas. Foi produzida entre os anos de 2015 e 2019 no Programa de Pós-graduacão em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob a orientação da Profª Drª Monica Cox Britto Pereira, e publicada pela Editora da Universidade Estadual do Ceará (EdUECE), com prefácio de Luiz Sávio de Almeida.

O livro é dedicado aos que lutam pela reforma agrária, sejam as famílias assentadas ou que estão embaixo de uma lona preta. Trata-se de uma importante obra para a compreensão da historiografia da luta pela Reforma Agrária em Alagoas, por demonstrar a saga do campesinato Sem Terra em busca da conquista do direito à terra de trabalho, de produção de alimentos e de construção do território enquanto espaço de reprodução da vida camponesa em todas as suas dimensões.

“O objetivo geral foi estudar o processo de recriação do campesinato assentado, a partir das lutas e das resistências dessa fração da classe camponesa na conquista dos assentamentos rurais, como forma de acesso à terra e, consequentemente, a construção de frações territoriais de resistência camponesa, como garantia da sua existência social em meio às contradições do capital”, afirmou o professor Claudemir Martins, autor do livro.

O recorte espacial escolhido foi a mesorregião do Sertão Alagoano, estado de Alagoas, especialmente, no período histórico recente da formação territorial capitalista brasileira: entre 1987 e 2017. Foram estudados cinco assentamentos rurais, localizados em três municípios: assentamentos Peba e Lameirão, em Delmiro Gouveia; Olga Benário, em Piranhas; Serrote Aroeiras, em Jacaré dos Homens e Todos os Santos/Chupete, em Água Branca.

“Realizamos um rigoroso trabalho de campo, amparado na pesquisa participante, no uso de fontes orais (entrevistas semiestruturadas), registros fotográficos e caderno de campo, além da pesquisa documental e bibliográfica”, explicou o professor.

“A investigação não buscou uma explicação finalista da presença camponesa hoje, nem muito menos buscou realizar previsões apocalípticas quanto à sua permanência futura ou mesmo sobre seu desaparecimento. Não temos dúvidas da presença camponesa na atualidade e na sua permanência na sociedade sob o modo de produção capitalista. O que nos moveu não foi essa dúvida, mas a busca de desvelar as determinações conjunturais e estruturais que materializam as resistências e as lutas das camponesas e dos camponeses, em meio às contradições do capital, como formas de garantir a existência social na condição de campesinato assentado”, prosseguiu Martins.

A publicação, mais do que um estudo do campesinato, é uma comprovação da urgente necessidade da reforma agrária como política estrutural para a sociedade brasileira diante da profunda concentração fundiária.

12 de dezembro de 2020

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