13 de agosto de 2020

Jornal Nacional manipula dados para atacar o funcionalismo público

Contrária ao serviço público, a Reforma Administrativa tem como aliados a Globo, Paulo Guedes, Bolsonaro e Rodrigo Maia

Com o objetivo de atacar o funcionalismo público e defender a famigerada reforma administrativa de Paulo Guedes e Bolsonaro, a Rede Globo exibiu reportagem no dia 10 de agosto em seu jornal de maior audiência, o Jornal Nacional, e reprisou em outros de seus telejornais.

A matéria manipulou dados para defender a diminuição do Estado e colocar a opinião pública contrária aos/às servidores/as públicos/as. Já na chamada, a âncora Renata Vasconcelos introduz a reportagem com um tom de denúncia: “No ano passado, o Brasil gastou com salários de servidores públicos federais, estaduais e municipais três vezes do que com a saúde”.

A matéria tem mais de quatro minutos e faz comparações entre os valores gastos em salários e o montante investido na Saúde e na Educação, como fosse possível separar a prestação do serviço do/a servidor/a público/a e do saneamento. Além disso, tenta passar a ideia de que há muitos servidores/as públicos/as no Brasil, recebem altos salários e que são um gasto desnecessário.

“O tamanho e o peso da máquina pública são um problema à espera de uma solução urgente”, afirma a jornalista Cláudia Bomtempo ao defender a Reforma Administrativa do Governo, que diminui cargos e reduz o número de servidores/as, amplia as contratações temporárias, proíbe progressões por tempo de serviço e acaba com a estabilidade.

A reportagem utiliza como fonte o Instituto Millenium, organização vinculada ideologicamente à direita que, segundo seu site, acredita “na essencialidade das ideias liberais” e tem entre seus valores a meritocracia e a propriedade privada.

Apesar de a Globo apresentar o tom de crítica ao governo Bolsonaro pelo adiamento da Reforma Administrativa para 2021, a ideia liberal de Estado mínimo e privatização de todos os serviços públicos é amplamente defendida tanto por Paulo Guedes e Bolsonaro como pela direita tradicional, representada por Rodrigo Maia e pelas famílias que monopolizam os meios de comunicação no Brasil, como a Globo.

“Fica explícito que a intenção dos meios de comunicação, assim como do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é dar continuidade ao projeto de desestruturação das políticas públicas a partir das contrarreformas ultraliberais, que retiram direitos dos trabalhadores, precarizam as condições de vida da população mais pobre e a relegam a sua própria sorte na luta pela defesa da vida, como estamos vivendo agora no período da pandemia”, afirma nota de repúdio do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais à reportagem.

+++ Confira nota do Fonasefe

Mitos contra o serviço público

Ao contrário do que foi apresentado na reportagem, a maior parte dos 11,4 milhões de postos de trabalho no setor público são nas áreas sociais. Apenas na saúde e na educação municipais, são 2,6 milhões de vínculos trabalhistas – mais que o dobro do número de funcionários públicos federais, de todas as áreas.

A cada 100 servidores, 22 são professores e 2 trabalham em outras áreas da educação, 16 são administradores, 11 são médicos, enfermeiros ou outras profissões da saúde, 5 fazem limpeza e 4 prestam serviços de segurança. Salários dos servidores federais são mais altos do que os trabalhadores privados.

A reportagem também apresentou enfaticamente que os servidores públicos federais ganham mais do que os trabalhadores do setor privado, exercendo a mesma função. Ocultou apenas que a média salarial do funcionário público brasileiro é apenas 8% maior do   que no setor privado e que isso está abaixo da média internacional. De 53 países analisados pelo Banco Mundial, esse percentual chega a 21%.

Quanto aos salários, em 2018, metade dos funcionários públicos ganhava até 3 salários mínimos (R$ 2,9 mil, considerando o valor do mínimo naquele ano). Apenas 3% ganhava mais do que 20 salários mínimos (R$ 19,1 mil).

Se compararmos os três poderes, há uma grande distinção. No Executivo, onde trabalham professores, médicos, policiais, cerca de 25% dos funcionários públicos ganham mais de R$ 5 mil. No Legislativo, que engloba vereadores, deputados, senadores e seus funcionários, mais de 35% recebe mais de R$ 5 mil. No Judiciário, onde atuam juízes, promotores, funcionários de fórum, mais de 85% ganham acima de R$ 5 mil.

Série: Quem são e qual a importância dos servidores públicos

 

Com informações: Jornal Nacional e Revista Piaui

Gráficos: Revista Piauí

13 de agosto de 2020

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