14 de abril de 2020

Diretor do Sintietfal publica artigo no caderno da CPT “Conflitos no Campo”

Publicação será lançada na próxima sexta-feira, 17 de abril

O diretor do Sintietfal, Claudemir Martins, publicou artigo no relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) “Conflitos no Campo Brasil 2019”, que será lançado nesta sexta-feira, 17 de abril, Dia Mundial de Luta Camponesa. O relatório é publicado anualmente, desde 1985, com dados sobre conflitos e violências no campo brasileiro.

“Pelo terceiro ano (2016, 2017 e 2019), com muita alegria, contribuo na condição de autor de artigo da principal publicação sobre Conflitos no Campo brasileiro, uma contribuição da CPT para a sociedade brasileira”, afirmou Claudemir Martins, diretor do Sintietfal em Piranhas.

A nova edição do relatório aponta um aumento da violência sofrida pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, incluindo indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. Em comparação à 2018, em 2019 houve o crescimento de 14% no número de assassinatos, passando de 28 para 32; de 7% nas tentativas de assassinato (de 28 para 30 ); e de 22% nas ameaças de morte, que passaram de 165 para 201.

Também foram registrados os maiores números de assassinatos de lideranças indígenas dos últimos 11 anos e de conflitos pela água. Este último chama, particularmente, atenção por ter superado em 77% o recorde da série história, os 276 conflitos de 2018.

O artigo de Claudemir Martins, professor doutor em Geografia do Ifal Câmpus Piranhas, analisa justamente os conflitos pela água no Brasil. Sob o título “O fetiche do progresso tecnológico desmancha-se em face do aprofundamento da questão agrária no campo brasileiro: a destruição da vida revelada nos Conflitos pela Água em 2019”, o texto busca levar à reflexão sobre as causas desse aumento.

“Continuaremos aceitando que os bens comuns naturais – terra, água, flora, fauna, ar, entre outros – sejam tratados como mercadorias, privatizados em pouquíssimas mãos e vendidos como commodities à revelia dos interesses da sociedade em geral? Continuaremos apostando e crendo alienadamente nas soluções tecnológicas, sem levar em conta as realidades social e ambiental nas quais essas técnicas são inseridas, mesmo diante de tragédias criminosas como a de Brumadinho e do vazamento de óleo em nosso litoral? Continuaremos acreditando que o atual modelo de desenvolvimento para o campo, ancorado no agronegócio, na mineração e na exploração da natureza sem limites, propalado ideologicamente como progresso, mas que destrói a vida em todas as dimensões, é o único e inexorável caminho a se seguir?”, questiona Claudemir Martins, em seu artigo.

Além disso, o artigo do diretor do Sintietfal é uma convocação da população urbana para a luta em defesa da água e da terra, como bens comuns de toda a sociedade.

“Acreditamos que a complexificação da questão agrária neste século XXI, materializada aqui nos Conflitos pela Água, exige respostas dos diversos setores da sociedade brasileira que permanecem alheios e passivos, e, acima de tudo, um posicionamento diante dessas reflexões. Os quilombolas, os indígenas e o campesinato há muito tempo já entenderam o que um dia escreveu Martins (1994, p. 12-13): ‘na verdade, a questão agrária engole a todos e a tudo, quem sabe e quem não sabe, quem vê e quem não vê, quem quer e quem não quer’. Falta, principalmente, uma parte da sociedade urbana compreender esse enunciado e, assim, somar-se a luta pela reforma agrária, que na atualidade deve concentrar-se no processo de desmercadorização da terra, da água e dos demais bens comuns naturais, pois, com está escrito na Carta da 31ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra de Alagoas, é necessário ‘Romper as cercas do capital e tecer as teias do Bem Viver na Casa Comum: Somos Terra, Somos Água, Somos Vida’ (CPT, 2020)”, conclui Martins.

Lançamento

Devido à pandemia do Covid19, o lançamento da publicação Conflitos no Campo Brasil 2019 será feito de forma digital no site e redes sociais da CPT a partir das 10h00. No mesmo horário será realizada uma live com a participação do coordenador nacional da CPT, Paulo César Moreira, a professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Maria Cristina Vidotte e o jornalista e colaborador da CPT, Antônio Canuto.

Edições anteriores

As 33 edições do caderno Conflitos no Campo já publicados pela CPT estão disponíveis no site da pastoral. Clique aqui e confira todas as publicações.

 

Fonte: CPT Brasil

14 de abril de 2020

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