Bolsonaro empossa candidato menos votado em eleição como novo Reitor da UFC
Cândido Albuquerque teve apenas 4,6% dos votos

Cândido Albuquerque foi rejeitado nas urnas mas é o mais alinhado politicamente às ideias de Bolsonaro (foto: Kid Júnior)
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) nomeou nesta segunda-feira, 19 de agosto, José Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque como novo reitor da Universidade Federal do Ceará. Albuquerque foi o último colocado na consulta pública, tendo apenas 4,61% dos votos.
“A nomeação joga na lata do lixo a opinião da comunidade acadêmica, que votou e escolheu democraticamente o reitor da instituição”, afirmou Hugo Brandão, presidente do Sintietfal.
A consulta pública, realizada no último dia 8 de maio, elegeu o atual vice-reitor da UFC, o professor Custódio Almeida com 7.772 votos, representando 64,8% dos eleitores. José Cândido ficou em terceiro lugar, recebendo 610 votos (4,61%). Antônio Gomes de Souza Filho, atual pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, também concorreu e ficou em segundo lugar, com 3.499 votos.
Apesar da grande rejeição da comunidade acadêmica, Cândido Albuquerque é o mais alinhado politicamente aos posicionamentos do governo federal e, por isso, se negou a respeitar a tradição democrática da universidade de retirar seu nome da lista tríplice enviada para a presidência.
Na seção do Conselho Universitário que elaborou a lista tríplice, Antônio Gomes (segundo colocado) retirou a candidatura para que apenas o nome do mais votado fosse enviado a Bolsonaro. Cândido Albuquerque manteve a candidatura e a diretora do campus de Crateús, Maria Elias Soares, se ofereceu para ocupar a vaga de Antônio Gomes na lista.
Antidemocrático
Mesmo a lei possibilitando a indicação de qualquer nome da lista tríplice para assumir o cargo de Reitor, Bolsonaro e seu ministro da educação, Abrahan Weintraub, têm se negado a respeitar a democracia e a opinião da maioria dos estudantes, professores e técnicos.
Com isso, a UFC entra para a lista de Instituições Federais com reitores nomeados sem o respaldo da comunidade acadêmica, ao lado do Instituto Nacional de Educação de Surdos, da Universidade Federal de Grandes Dourados, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ) e do Instituto Federal da Bahia.



