19 de agosto de 2019

Comunidade acadêmica resiste à intervenção no CEFET-RJ

Bolsonaro/Weintraub nomearam um interventor do Rio Grande do Sul ao invés do diretor eleito

Estudantes e servidores do Cefet-RJ (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca) protestaram na manhã desta segunda-feira, 19 de agosto, contra a nomeação de Maurício Vieira, assessor de Abraham Weintraub, Ministro da Educação, como novo diretor-geral temporário da Instituição.

O interventor, oriundo do Rio Grande do Sul, não é servidor do CEFET-RJ. Ele foi nomeado pela Portaria nº 1459, de 15 de agosto de 2019, sob a justificativa de instabilidade política dentro da instituição.

Em seu primeiro dia no CEFET-RJ, Vieira foi recebido sob vaias e gritos de “fora, interventor”.  Com uma barreira humana, os/as estudantes impediram seu acesso à direção-geral da escola. O interventor ficou um tempo na Procuradoria e depois saiu fugido da escola por volta das 10 horas, escoltado por policiais.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por Sintietfal (@sintietfal) em

“A gente não pode parar, os estudantes vão vencer. A gente não pode ficar um dia sem lembrar que o CEFET foi posto sob intervenção, mas a gente vai resistir!”, afirmou uma líder estudantil após expulsarem o interventor da escola. Confira o vídeo.

Para os estudantes, a intervenção do governo Bolsonaro é uma medida autoritária e antidemocrática.

“Entendendo que os problemas internos do CEFET/RJ devem ser resolvidos de forma democrática, ainda que seja necessário um cenário de novas eleições para Direção, não achamos válida a nomeação de um diretor que seja oriundo de uma universidade do Rio Grande do Sul, que nunca participou do cotidiano da instituição e muito menos concorreu no processo eleitoral. Nossa posição é, portanto, a favor de uma saída que dialogue com a comunidade interna, de forma que a vontade dos docentes, demais servidores e discentes seja soberana. Não admitimos que o governo estabeleça esta medida autoritária e antidemocrática”, afirmou a nota oficial dos estudantes, publicada dia 16 pela Fenet, grêmios, DCE e outras entidades.

Em solidariedade aos servidores/as e estudantes do CEFET-RJ, o Sinasefe e o Andes lançaram nota conjunta repudiando a intervenção e exigindo a nomeação do candidato eleito na consulta pública.

“Tal intervenção soma-se às outras ocorridas em algumas Universidades Federais, desde o início deste ano, materializando o conjunto de ataques contra a Educação Federal e violando os princípios de autonomia e democracia das Universidades, Institutos Federais e Cefets. Exigimos a nomeação imediata do candidato eleito na consulta pública pela comunidade acadêmica do Cefet-RJ. Repudiamos e denunciamos o autoritarismo e a inconstitucionalidade que se expressa no Decreto 4877/2003, que fere a autonomia das IFEs”, afirma a nota.

O Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), além de se manifestarem contrários à intervenção, aproveitaram o momento para exigir respeito às escolhas democráticas realizadas dentro das instituições.

“Por respeitar as escolhas das comunidades acadêmicas, cujos pleitos são realizados com transparência e de acordo com os ritos legais, o Conif e a Andifes sustentam a nomeação dos candidatos escolhidos em conformidade com a maioria de votos dos docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos da Rede Federal – institutos federais, centros federais de educação tecnológica (Cefets), o Colégio Pedro II e as universidades federais, de modo a mitigar prejuízos e instabilidades e aprimorar governança e governabilidade no funcionamento das instituições”, defendem o Conif e a Andifes.

Outras instituições

Em oito meses de governo, Bolsonaro já desrespeitou o processo democrático de várias Instituições Federais de Ensino (Ifes) e colocou, no lugar dos eleitos, seus asseclas para gerir a educação de acordo com seus interesses políticos.

O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) foi o primeiro a sofrer com essa atitude antidemocrática. No dia 16 de janeiro, teve o segundo lugar das eleições nomeado para o cargo de diretor-geral da instituição. Na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Bolsonaro/Weintraub também resolveram nomeador o candidato perdedor para Reitor da Instituição.

Na Universidade Federal de Grande Dourados e na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) foram empossados como reitores servidores que não participaram da consulta eleitoral, realizada nas instituições.

Por sua vez, a comunidade do Instituto Federal da Bahia segue na luta pela posse da reitora eleita, a professora Luzia Mota, e contra o ilegítimo reitor pro tempore indicado por Bolsonaro/Weintraub. Saiba mais no site do Sinasefe Ifba.

19 de agosto de 2019

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *