Consup: Sintietfal repudia cortes na Educação
Sindicato defendeu a manutenção dos gastos do Ifal inicialmente previstos na LOA
Em reunião do Conselho Superior do Ifal, realizada na manhã desta terça-feira, 11 de junho, na Reitoria, o Sintietfal defendeu que a gestão do Instituto utilize todo o orçamento do Ifal para 2019, como foi previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), sem prejudicar os serviços da Instituição.
Para o Sindicato, o Ifal não pode acatar os cortes realizados pelo Governo Bolsonaro e seu ministro da educação, Abraham Weintraub, mesmo que a instituição pare por falta de recursos.
“Se a gente acatar esse corte, a gente vai está dizendo que a gente consegue sobreviver com menos. E nós não conseguimos. Tem dados do Câmpus Satuba, que é uma escola-fazenda centenária, no qual mostra a quantidade de terceirizados que perderemos, se acatarmos esses cortes. É um corte brutal. Não tem condições do Câmpus funcionar. E essa é uma realidade em diversos câmpus do Ifal. Esses cortes é uma precarização do trabalho, do ensino, da aprendizagem e da pesquisa”, disse o presidente do Sintietfal, Hugo Brandão, que ocupa a cadeira de conselheiro titular pelo Sindicato.
O conselheiro Maurício Ferreira apresentou a situação do Ifal após os cortes que o Ministério da Educação impôs aos orçamentos de Institutos e Universidades Federais. Na apresentação, foi exposto que 36% foi cortado do orçamento de custeio do Ifal, além de emendas parlamentares, o que impossibilita o funcionamento da Instituição.
“Devemos esclarecer aos estudantes que não abandonem a instituição, não porque está tudo bem, mas porque vamos lutar até o fim pela manutenção dos serviços oferecidos pelo Ifal. Educação, extensão, pesquisa e inovação de qualidade. Já que o governo afirma que não são cortes, mas sim um contingenciamento e que eles pretendem devolver os recursos, devemos manter os gastos previstos na LOA e que se não forem suficientes, o Ministro e o Presidente devolvam os recursos para as instituições. E caso não devolvam, fecharemos as portas, e não por nossa culpa, mas por responsabilidade do atual governo”, defender o conselheiro Ederson Matsumoto (Japa), em sua fala.
Ederson Matsumoto, que também é diretor do Sintietfal, afirmou ainda que “Se nos adequarmos a todos os cortes impostos, enviaremos a mensagem para sociedade e para o governo de que estávamos esbanjando até então e que podemos sobreviver com menos”.
Na reunião, também foi aprovada a Resolução Normativa de Inclusão e os/as conselheiros/as representantes do segmento discente, leram uma nota em defesa do professor Wanderlan Porto e da liberdade de expressão.
O conselheiro Ederson Matsumoto, relator da pauta, falou sobre a importância da regulamentação da inclusão de discentes com necessidades especificas no Ifal dando parecer favorável à aprovação da pauta. “É inquestionável, tanto do ponto de vista legal como acadêmica e moral, a importância de regulamentar e avançar nas ações que promovam não só o acesso, mas a inclusão e efetiva educação para tais discentes, a fim de promover uma educação pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada e inclusiva”.
#SomosTodosWanderlan
Ao final da reunião, o presidente do Sintietfal, Hugo Brandão, pediu a palavra para relatar o caso do professor Wanderlan Porto, ameaçado de demissão pelo Ministro da Educação, Abraham Weintraub, por ter defendido a educação pública em uma plenária unificada. Na ocasião, os/as conselheiros/as representantes do segmento discentes e egressos leram uma nota em defesa do professor Wanderlan e em defesa da liberdade de expressão.
Confira aqui a nota na íntegra:
Nós, discentes e egressos, representantes da comunidade acadêmica no Conselho Superior do Instituto Federal de Alagoas queremos por meio desta nota expressar nossa indignação e nossa solidariedade
Nossa indignação perante a perseguição política e a tentativa de censura postas de maneira tão escancaradas contra a educação. Assim aconteceu nos ataques covardes dirigidos ao professor Wanderlan Porto por simplesmente expressar suas ideias em defesa da educação, ataques esses que vieram primeiramente da figura do Ministro da Educação Abraham Weintraub e que gerou respostas agressivas e ameaçadoras de seus seguidores, agindo como verdadeiras milícias digitais. É um absurdo que alguém que ocupa o cargo de Ministro da Educação incentive e compactue com atitudes intimidatórias tão rasteiras, que lembram o fantasma de nossa ditadura passada.
Nossa solidariedade para dizer ao professor que acontecendo o que acontecer, você tem pelo menos sete aliadas e aliados que vão te defender como for possível no CONSUP desta instituição e onde for necessário, honrando nossa posição de defesa do Instituto Federal de Alagoas e da educação pública. Estaremos ao seu lado, em defesa da sua liberdade, do seu direito de se expressar sem ser censurado e da sua palavra, a arma que não podem calar. Não nos calaremos!
Estendemos isto também a toda comunidade acadêmica e acrescentamos que, especialmente nesse momento de ataque pelo qual estamos passando, seguiremos juntas e juntos. Resistindo e avançando!
Somos Wanderlan! Somos resistência!
#TireAMãodoMeuIF
Assinam esta nota:
Ana Leticia Sobral Jesus – Representante Egressa no CONSUP/IFAL
Ana Beatriz Soares Santos – Representante Discente no CONSUP/IFAL
Ewerton Lira de Souza – Representante Discente no CONSUP/IFAL
Gabriel Ferreira da Silva – Representante Egresso no CONSUP/IFAL
Luis Eduardo Aquino Feitosa – Representante Discente no CONSUP/IFAL
Peterson Silva Lessa Couto – Representante Discente no CONSUP/IFAL
Vinicius Batista dos Santos – Representante Discente no CONSUP/IFAL
*Esta nota expressa o posicionamento do nosso grupo de estudantes das pessoas aqui listadas, não representando uma posição institucional do Conselho referido.




