22 de março de 2019

Ex-presidente Michel Temer é preso por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro

(Foto: Agência Brasil)

Michel Temer foi detido nesta quinta-feira (21) pela operação Lava Jato. Ele é o segundo presidente a ser preso no país por corrupção, sendo o primeiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

A prisão foi em São Paulo e proferida pelo juiz Marcelo Bretas, que opera a Lava Jato no Rio de Janeiro.

 

Temer é acusado de atuar em esquemas ilegais, envolvendo mais de R$ 1,8 bilhão em propinas. O ex-presidente é acusado de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

 

A prisão nesta quinta-feira foi feita em razão de suspeitas sobre contratos da Usina de Angra 3, ligada à Eletronuclear. Neste caso, a propina paga para a organização criminosa foi de R$ 29,6 milhões, sendo que R$ 1,1 milhão teria sido destinado a Temer.

 

Além do ex-presidente, a Polícia Federal cumpre oito mandados de prisão preventiva e dois mandados de prisão temporária. O ex-ministro Moreira Franco e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, também foram presos.

 

Quadrilhão do MDB

A prisão de Temer ocorre após deixar a presidência e da perda do foro privilegiado, mas o político é alvo de denúncias há muito tempo, tendo passado todo o mandato com a corda no pescoço.

 

Basta lembrar a conversa comprometedora com o empresário Joesley Batista, da JBS.

 

Só se salvou por que garantiu uma forte operação abafa no Congresso por duas vezes, para impedir a abertura de processo contra si. Vale destacar, à custa da descarada compra de votos da maioria dos deputados, com cargos, emendas e sabe-se lá mais o que.

 

Em seu governo, enquanto desviava dinheiro para benefício próprio, Temer aprovou a Reforma Trabalhista e o projeto de terceirização, profundos ataques aos trabalhadores brasileiros em direção à precarização e informalidade no trabalho. Além disso, seu projeto de Reforma da Previdência foi base para o nefasto projeto do governo de Bolsonaro, uma vez que entra governo, sai governo e todos defendem que para manter seus privilégios é preciso jogar a conta nas costas dos trabalhadores.

 

“Essa prisão escancara, mais uma vez, o mar de lama que a maioria dos políticos do país segue afundada. Não se restringe apenas a Temer. É preciso ficar atento para garantir que não seja apenas uma prisão de fachada. Até por que não dá para confiar nessa justiça”, destacou o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

 

É preciso ressaltar a seletividade da Lava Jato e o jogo de interesses que está por trás de tudo isso, assim como a clareza de que a Justiça continua defendendo os interesses dos que estão no poder no momento. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, por exemplo, não terá nenhum interesse em punir os seus. Para esses, bastarão um pedido de desculpas e, por ele, estarão absolvidos.

 

Por isso, reafirmamos. Não basta a prisão de alguns. A CSP-Conlutas defende a mobilização para exigir a prisão de todos os corruptos e corruptores, além do confisco dos bens de todos eles.

 

Por CSP-Conlutas

22 de março de 2019

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