Discurso de Bolsonaro em Davos reafirma projeto de governo de privatizações e de acabar com a aposentadoria dos trabalhadores
Recebido com protestos e uma cestas de laranjas no hotel, entregue por manifestantes, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu os trabalhos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira (22), com um discurso curto, genérico e superficial. Dos 30 minutos previstos para sua fala, o presidente usou apenas seis. Reforçou nesse pouco tempo sua proposta de governo que implicará em graves ataques aos direitos dos trabalhadores e ao país.
Em sua fala, e também resposta às perguntas dos presentes, Bolsonaro reafirmou seu projeto de seguir com as reformas, entre elas a Reforma da Previdência. “Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós”, salientou.
Disse também ao responder perguntas feitas a ele sobre essas reformas: “Pretendemos diminuir o tamanho do Estado, realizar reformas, como, por exemplo, a da Previdência”.
Outro destaque em seu discurso foi o projeto de estado mínimo, para isso, acabando com serviços públicos e privatizando tudo. “Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas”, reforçou.
A abertura do mercado brasileiro para empresas estrangeiras, que lucrarão horrores com mão de obra barata e levarão todo o lucro para o seu país de origem, também foi defendida pelo presidente. “O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo”.
Ao afirmar “Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos”, reforça aspectos da retirada de direitos dos trabalhadores que já constam da reforma Trabalhista, mas também a carteira verde e amarela que não terá obrigações com direitos da CLT (consolidação das Leis do Trabalho) e o trabalho precarizado tão almejado por empresários.
Os direitos humanos como todos conhecem, ao que tudo indica não são válidos para o presidente, que atua na linha de “bandido bom é bandido morto”. Em seu discurso disse que irá defender o que chamou de “verdadeiros direitos humanos”.
Afirmou ainda sua intenção em defender a família, ou melhor, o conceito conservador do que é uma família, em sua análise. O atual presidente já deu diversas declarações de que não apoia casamentos homoafetivos, assim como seu vice, Mourão, já ofendeu mulheres que são mãe solo, com afirmações de que “casa de mãe solteira é fabrica de desajustados”.
Bolsonaro também defendeu a propriedade privada, em um claro ataque a quem luta por terra no país. Entre essa população estão os povos indígenas e quilombolas que já tem enfrentado ataques desse governo com a demarcação de terras para o Ministério da Agricultura, cujo líder da pasta é um ruralista.
O ataque ao meio-ambiente também não ficou de fora. “Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos”. O que não se aplica na prática já que Bolsonaro indicou para o Ministério do Meio-Ambiente o advogado Ricardo Sallles, apoiado por ruralistas e alvo de ação de improbidade administrativa, acusado de manipular mapas de manejo ambiental do rio Tietê.
A CSP-Conlutas, diante desse discurso preconceituoso de Bolsonaro contra as minorias, assim como sua defesa em seguir com o projeto de reformas que prejudicam apenas os trabalhadores, não os mais ricos, reforça a necessidade de lutar contra esses ataques.
Confira a integra do discurso de Bolsonaro:
Boa tarde a todos!
Muito obrigado, professor Schwab!
Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.
Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.
Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.
Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.
Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.
Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.
Temos o compromisso de mudar nossa história.
Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.
Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.
Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.
Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!
Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.
Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.
Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.
Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.
Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.
Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.
O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.
Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.
Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.
Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.
Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.
Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.
Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.
Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.
Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.
Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.
Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.
Tendo como lema “Deus acima de tudo”, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.
Muito obrigado.”
Por CSP-Conlutas




