1 de outubro de 2018

Mourão, vice de Bolsonaro, defende acabar com o 13º salário e os direitos trabalhistas. Centrais Sindicais repudiam

(Foto: Marcelo Chello / Agência O Globo)

O general Hamilton Mourão, vice na chapa do candidato Jair Bolsonaro (PSL), criticou os direitos dos trabalhadores e defendeu uma reforma trabalhista ainda mais profunda. Para ele, direitos são “mochila nas costas dos empresários” e o 13° salário e as férias são “uma visão social com chapéu dos outros”. As afirmações foram feitas durante uma palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na quarta-feira (26).

“Jabuticabas brasileiras. Décimo terceiro salário. Se a gente arrecada 12, como pagamos 13? É complicado. É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais. Coisas nossas, legislação que está aí. É sempre a visão dita social com o chapéu dos outros, não com o chapéu do governo”, disse o militar.

“[Vamos fazer] a implementação séria da reforma trabalhista. Sabemos perfeitamente o custo que tem o trabalhador, essa questão de imposto sindical em cima da atividade produtiva. É o maior custo que existe. E temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário”, completou o candidato a vice-presidente.

De imediato, as Centrais Sindicais divulgaram uma nota de repúdio à fala do general Mourão e reafirmaram a defesa dos direitos trabalhistas. “Tais direitos, desdenhados por ele, foram conquistados após árduas batalhas travadas e constam nos direitos constitucionais. Ao contrário do que disse Mourão, direitos trabalhistas, como o 13° salário, geram empregos e movem a economia justamente porque nela inserem os trabalhadores”, afirma a nota assinada por sete centrais.

O presidenciável Bolsonaro, diante da repercussão negativa da fala, foi às redes sociais desautorizar seu vice. Entretanto, a postura de sua candidatura tem sido para agradar e angariar o apoio do empresariado. Em várias ocasiões, o deputado também deu declarações no mesmo sentido, chegando a falar publicamente que “é melhor ter menos direitos para ter empregos”.

Além disso, o deputado votou a favor da Reforma Trabalhista, que ataca brutalmente os direitos dos trabalhadores, e da Lei do Teto dos Gastos, que afeta diretamente as condições de vida da classe trabalhadora.

Confira a Nota de repúdio à fala do general Mourão

A fala do general Mourão contra direitos trabalhistas revela o que está por traz da candidatura de Bolsonaro: uma candidatura antissocial que deve ser repudiada por toda a classe trabalhadora brasileira!

Consideramos descabida, ofensiva e lamentável a afirmação que o candidato a vice-presidente da República na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamílton Mourão (PRTB), fez nesta 4ª feira, 26, para empresários e representantes de associações e sindicatos patronais, em Uruguaiana, RS, sobre o 13º salário e o adicional de férias. Segundo ele: “Se a gente (sic) arrecada 12, como vamos pagar 13 (salários)?”. E ainda: “É complicado e é o único lugar (o Brasil) em que a pessoa entra em férias e ganha mais”.

Tais direitos, desdenhados por ele, foram conquistados após árduas batalhas travadas e constam nos direitos constitucionais. Ao contrário do que disse Mourão, direitos trabalhistas, como o 13° salário, geram empregos e movem a economia justamente porque nela inserem os trabalhadores.

Vamos entregar o controle do nosso País a pessoas com esse tipo de pensamento? Não foi para isto que os trabalhadores e as trabalhadoras lutaram tanto!

Não podemos aceitar, em hipótese alguma, a retirada dos nossos direitos, nem posicionamentos que diminuam o valor do nosso trabalho e que visam aprofundar a desigualdade social.

 

Vagner Freitas, Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Miguel Torres, Presidente da Força Sindical

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

José Avelino (Chinelo), Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

José Calixto Ramos, Presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST)

Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical

Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS

 

1 de outubro de 2018

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