25 de outubro de 2018

Bolsonaro é ameaça às liberdades democráticas e às lutas dos trabalhadores e do povo pobre

(Fotos: Marcos Vieira | Diego Vara/RBS)

O candidato do PSL à presidência da República Jair Bolsonaro deu, nesta terça-feira (23), mais uma declaração que revela seu posicionamento contrário aos direitos dos setores oprimidos. Em entrevista à TV Cidade Verde, afiliada do SBT no Piauí, o candidato da extrema-direita afirmou que vai acabar com a política do “coitadismo” de nordestinos, gays, negros e mulheres.

“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”, disse, indicando ser contra políticas afirmativas de reparação e contra o preconceito.

A declaração confirma o total desconhecimento e desprezo de Bolsonaro com mulheres, negros, LGBTs e setores oprimidos que historicamente são prejudicados pelas desigualdades sociais existentes no país. Uma postura oportunista, principalmente vindo de um político que é parlamentar há 30 anos, usufruindo, junto com os filhos, de todos os privilégios dos políticos brasileiros.

Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a atacar o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e reafirmou que vai tratá-lo como ação de terrorismo.

Às vésperas da realização do 2° turno das eleições, o candidato, que sempre defendeu abertamente a Ditadura Militar e a tortura de oponentes, subiu o tom das ameaças às liberdades democráticas.

No domingo (21), em mensagem telefônica enviada a apoiadores, Bolsonaro falou em promover uma “faxina” contra opositores: “Ou vão para fora [do país] ou vão para a cadeia”, disse o presidenciável. A mensagem traz de volta uma prática usada durante o regime militar (1964 – 1985), quando trabalhadores e todos que não concordavam com o governo eram duramente perseguidos e forçados a exilar-se.

“Vamos colocar um ponto final em todos os ativismos no Brasil”. Essa é outra frase repetida pelo candidato por diversas vezes nessa campanha. Em outras palavras, para os trabalhadores isso significa que, como presidente, Bolsonaro irá combater e reprimir as greves e mobilizações.

O discurso autoritário é defendido por toda família Bolsonaro. Em vídeo gravado em julho e divulgado semana passada, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ser fechado por militares caso a candidatura de seu pai fosse barrada. Bastaria “um soldado e um cabo” para fechar o STF.

Outro filho do candidato, Flávio Bolsonaro, deputado estadual pelo Rio de Janeiro, defendeu a destruição de uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros há oito meses. A placa estava instalada em frente à Câmara Municipal, onde Marielle trabalhava, e foi destruída por correligionários do PSL.

A essas declarações e ações se somam inúmeras outras afirmações racistas, de apologia ao estupro de mulheres, violência contra gays, ativistas de esquerda e de ataques aos direitos dos trabalhadores e à soberania do país.

A CSP-Conlutas aprovou resolução em que repudia as propostas de Bolsonaro e indica aos trabalhadores, entidades e movimentos filiados que é preciso derrota-lo nas urnas e nas ruas.

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“No processo eleitoral, Bolsonaro, o defensor da ditadura e da tortura, esbanja provocações com suas propostas em defesa dos ricos, da retirada de nossos direitos, com seu racismo, machismo e preconceito, explicitamente assumido, contra os mais pobres e nordestinos. Ele chega ao 2º turno e traz no seu programa de governo um elemento que não podemos aceitar que se repita jamais em nossa história: defende abertamente a Ditadura Militar, os torturadores e ameaça atacar as liberdades democráticas e as organizações dos trabalhadores como, por exemplo, os sindicatos”, afirma trecho da nota.

Para a Central, o chamado “fim do ativismo”, defendido por Bolsonaro, significa uma tentativa de pôr fim ao direito de lutarmos e fazermos greves e manifestações pelo direito à terra, à moradia ou em defesa dos nossos direitos trabalhistas e sociais.

Isso diante do fato que Bolsonaro, seu assessor econômico Paulo Guedes e militares defendem abertamente o fim de mais direitos trabalhistas e a Reforma da Previdência.

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“Ele pretende ainda, na base repressão, acabar com o direito das mulheres, negros e negras, camponeses, índios, quilombolas e LGBTs de se mobilizarem por suas pautas. Fruto desse discurso, estamos assistindo a brutais episódios de caráter protofascistas, com agressões, espancamentos e até assassinato de pessoas pelo fato de expressarem sua oposição a esse projeto excludente, opressor e defensor do fim das liberdades”, afirmamos.

Considerando que, no caso de ser eleito, Bolsonaro lançará mão de mais repressão contra as nossas lutas e atacará duramente as liberdades democráticas, como ele mesmo assume, não podemos dar-lhe um milímetro de espaço sequer para que essa nefasta possibilidade ocorra. Por isso, no marco da defesa da autonomia e prática da democracia operária de cada uma de nossas entidades, chamamos nossa classe a votar contra Bolsonaro.

A nota afirma ainda que, para nós da CSP-Conlutas, indicar aos trabalhadores que votem 13 neste segundo turno para derrotar Bosonoro tem o único objetivo de impedir que o mesmo e seus aliados cheguem eleitoralmente à Presidência da República.

Dessa forma, reiteramos a compreensão de que nossa principal arena para derrotar projetos ditatoriais ou mesmo de colaboração de classes será sempre a luta direta, a efetivação prática de mecanismos de autodefesa e o enfrentamento direto contra esses projetos e seus representantes. Cabe-nos ainda afirmar que esse posicionamento não significa alimentar nenhuma ilusão ou apoio político ao PT, seus aliados e seu projeto de colaboração de classes, contra o qual, aliás, sempre lutamos e tivemos de enfrentar durante mais de uma década.

Por esse motivo, continuaremos defendendo a independência de classe e seremos oposição a um eventual governo do PT desde o seu primeiro dia.

Somado a essa orientação referente ao segundo turno dessas eleições, nossa Central, mais uma vez, faz um chamado imediato às Centrais Sindicais e às organizações do movimento de massas para iniciarmos desde já a preparação de uma nova Greve Geral.

Isso é necessário porque, além do fato de Temer estar anunciando votar a Reforma da Previdência ainda esse ano, sabemos que, para atender os interesses do “mercado”, ganhe quem ganhe essas eleições, virão fortes ataques aos nossos diretos trabalhistas, previdenciários e sociais.

 

Por CSP-Conlutas

25 de outubro de 2018

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