6 de abril de 2018

MEC cancela expansão do IFB e torna mais evidente desmonte na Rede Federal

A autorização para a construção do câmpus avançado do Instituto Federal de Brasília (IFB), em Sobrandinho, foi revogada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho. A Portaria nº 287/2018/MEC, publicada no dia 28 de março, veta a construção da unidade, prevista em maio de 2016, e torna evidente os efeitos da Emenda Constitucional nº 95, que corta de verbas para a educação pública.

“Fica revogada, a pedido, a autorização de funcionamento da unidade Campus Avançado Sobradinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília IFB”, afirma a portaria assinada por Mendonça Filho.

Segundo nota do IFB, a não expansão da Unidade se deu porque “a instituição sofreu impactos da crise econômica nacional” e que, diante dos “poucos recursos disponíveis para a instalação de duas Unidades”, foi priorizada a estruturação do Câmpus Recanto das Emas, localizado na região administrativa oposta, a 55km de Sobradinho.

No Distrito Federal, há 10 campi do IFB com mais de 40 cursos, incluindo ensino básico e cursos técnicos e superiores, que atendem a cerca de 18 mil estudantes. Com o cancelamento da expansão do IFB para Sobradinho, orçada em R$ 12 milhões, perde-se a possibilidade de levar o sonho de uma educação pública e de qualidade para milhares de novos jovens.

“Vivemos um momento de parecido com a década de 90, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) suspendeu os investimentos sociais e vetou a expansão da educação pública. Imagine o que seria se os Institutos Federais não tivessem ido para o interior. Chegamos a mais de 600 cidades, atendendo quase um milhão de estudantes. É muita pesquisa, extensão e educação de qualidade onde antes não existia”, afirmou Hugo Brandão, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais da Educação Básica e Profissional no Estado de Alagoas (Sintietfal).

“Vetar a construção de um câmpus é atentar contra o futuro de nossa juventude. É isso que esse governo golpista vem fazendo ao proibir a expansão da Rede Federal e ao congelar os investimentos sociais por 20 anos”, completou Brandão.

A não construção do Campus Sobradinho e a dificuldade financeira que o IFB e os demais Institutos Federais estão sofrendo no Brasil é resultado da política econômica do Governo Temer, que prevê o congelamento de investimentos públicos, o sucateamento das instituições e empresas públicas com vista à privatização.

A unidade do IFB é a primeira a ser fechada no Brasil e inaugura o caminho para o plano de acabar da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Anualmente, o governo Temer vem reduzido as verbas destinadas aos Institutos. De acordo com o governo federal, de 2015 a 2017, os recursos para a Rede Federal sofreram um corte de 14%. Contudo, os recursos financeiros para obras e compra de equipamentos foram reduzidos em 61%, entre 2015 e 2017.

Com informações: Sinpro-DF e Portal CUT

6 de abril de 2018

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