Alagoanas convocam ato no Dia Internacional de Luta das Mulheres

Coletivo feministas, estudantes, movimentos sociais e sindicais, em reunião, organizam mobilização para o 8 de março
Em comemoração ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, entidades sindicais, coletivos feministas, estudantes e movimentos sociais, realizaram, no dia 8 de março, um grande ato público em Maceió. A mobilização está marcada para as 8 horas com concentração na praça do centenário, onde serão realizadas oficinas de cartazes, apresentação de Teatro do Oprimido e batucada.
Através de um manifesto, a comissão organizadora do 8 de março em Alagoas denunciou a violência contra a mulher e o feminicídio, ao tempo em que reivindicou políticas públicas visando a igualdade de gênero.
“O Estado de Alagoas está marcado por um longo histórico de violência para as mulheres. Ano após ano, vemos os índices de feminicídio crescerem, ondas de estupros aterrorizam mulheres que se sentem sempre em risco ao andar na rua. É preciso que o poder público compreenda a gravidade da situação e ouça as mulheres, na sua diversidade, desenvolvendo ações efetivas no sentido de solucionar o problema”, afirma o manifesto assinado por mais de 30 organizações.
A mobilização do Dia Internacional das Mulheres está convocada mundialmente e deve levar milhares de trabalhadoras às ruas para reivindicar o fim de todo tipo de violência contra as mulheres e a construção de uma sociedade livre do machismo e exploração do trabalho.
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Os dados comprovam a necessidade de lutar. O Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é quinto país que mais mata mulheres no mundo, chegando a 13 assassinatos no por dia. Em 2014, foram quase 5 mil homicídios. No mundo, 15 milhões de adolescentes, de 15 a 19 anos, já sofreram abuso sexual, 60% das mulheres refugiadas são vítimas de violência ao longo da vida e 200 milhões já foram obrigadas a passar por mutilação genital (dados (Kering Foundation).
Confira abaixo o manifesto de convocação do 8 de março em Alagoas:
Manifesto
O Estado de Alagoas está marcado por um longo histórico de violência para as mulheres. Ano após ano, vemos os índices de feminicídio crescerem, ondas de estupros aterrorizam mulheres que se sentem sempre em risco ao andar na rua. É preciso que o poder público compreenda a gravidade da situação e ouça as mulheres, na sua diversidade, desenvolvendo ações efetivas no sentido de solucionar o problema.
Diante de tudo isso, vários movimentos de mulheres em sua diversidade estão reunidos neste 8 de março, dia internacional da mulher, para cobrar respostas do Governo do Estado a reivindicações antigas que ainda não foram priorizadas.
A pauta das mulheres é extensa, mas elegemos pontos mais urgentes que precisam de resposta imediata. Estamos apresentando a pauta de forma antecipada, na expectativa de que a gestão busque respostas efetivas até o dia 08 de março, de forma simbólica dia mundialmente reconhecido pela luta das mulheres.
Propomos que o Governador do Estado de Alagoas receba as mulheres no dia 8 de março para uma reunião, onde será discutida a realidade das mulheres e o Governo pode apresentar suas respostas a estas reivindicações.
Nossas reivindicações:
- Ampliação das delegacias da mulher. É necessária a presença de uma em cada regional, no mínimo. E que todas tenham funcionamento 24h por dia, incluindo finais de semana e feriados.
- Capacitação do efetivo para atendimento às mulheres vítimas de violência
- Campanha educativa de combate à violência contra a mulher: Trabalho nas escolas e ação publicitária nos meios de comunicação.
- Efetivação da Patrulha Maria da Penha para garantir o cumprimento da Lei Maria da Penha em Alagoas.
- Empenhar esforços, junto aos parlamentares, para derrotar o projeto da Reforma da Previdência no Congresso Nacional.
- Retomada do projeto de Unidades Moveis e da Casa da mulher brasileira, que já receberam recursos do Governo Federal há anos, mas não estão chegando ao destino final, que é o atendimento das mulheres vítimas de violência.
- Realização de mutirões de documentação para mulheres rurais e urbanas, com atenção especial às que estão em situação de rua, e garantia de que processos abertos sejam concluídos para que todas recebam seus documentos.
- Efetivação da política nacional de saúde integral da população negra no estado de Alagoas.
- Ampliação da rede de atendimento às mulheres vitimas de violência, com implantação de casas abrigo, casas de Passagem, Centros de Referência de atendimento às mulheres, serviços de saúde especializados para o atendimento às mulheres vítimas de violência.
Subscrevem esse documento as seguintes entidades:
Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Feminista Olga Benário, Coletivo Feminista Ana Montenegro, MST, CPT, VIA do Trabalho, FETAG, Sindicato dos Urbanitários, Grupo Flor do Manacá, SINTTRO, Ateliê Ambrosina, Gabinete da Vereadora Teresa Nelma, CUT, Sindvigilantes, SINTEAL, AMT PDT, Setorial Gênero PSOL, STTR/Arapiraca, STTR São Sebastião, STTR Coité do Noia, STTR Belo Monte, SINDPOL, Escritório da Mulher, ADOIS CIA de DANÇA, MMTRP/AL, STRAAF Pão de Açucar, STTR Mata Grande, SINDPREV, Rede de Mulheres Negras de Alagoas. Instituto Feminista Jarede Viana, Coletivo Antiproibicionista de Alagoas, Levante Popular da Juventude, Secretaria de Mulheres do PT.



